Mercy Zidane

sábado, 25 de dezembro de 2010

Estranho

-Podia, mas não quero. As coisas tão aqui, muito dispersas. É a cidade, é a cidade que tá entrando em mim, cara, pelos olhos e poros, pelos poros dos olhos, pela cabeça virada, pelas máscaras que grudam na minha cara de poucas em poucas horas, pelo rancor que se materializa como uma parede de concreto que eu finjo não existir, mas que mesmo sendo invisível não me deixa passar, entende?

-Acho que sim. E agora?

domingo, 19 de dezembro de 2010

De volta

Ter um blog e ficar um tempo considerável sem postar é tão comum quanto escrever posts metalinguísticos elencando os motivos da abstinência textual - em 90% dos casos a culpada é a falta de tempo. No restante é a preguiça. Normal, sabemos que "é assim que é", então vou poupar a verborragia.

Perdi a toada para falar: do meu posicionamento de votar nulo no segundo turno das eleições e expor os motivos contrários ao voto útil no PT; de comentar a minha escolha em participar de chapas nas eleições estudantis da USP; da emocionante despedida da histórica república Chiapas; da minha apreciação cada vez maior pelo rap; do ano ruim do Palmeiras.

Alguns desses assuntos ainda podem se salvar. A maioria deve cair no esquecimento.

Mas o importante é que o gelo foi quebrado, mesmo que o texto seja curto.

Novos velhos assuntos estão por vir. Abaixo, a música que mais passou pelos meus ouvidos no período em que MZ esteve inativo:

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Pelé 70

Pegando a onda do post anterior, reproduzo abaixo o curta-metragem "Uma História de Futebol", em lembrança aos 70 anos de Pelé (o jogador, não o empresário Edson).

Filme tocante para qualquer um que já sonhou em ser jogador de futebol.


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Metalinguagem: a preguiça também contribuiu para essa rápida homenagem ao maior jogador de futebol de todos os tempos.

sábado, 16 de outubro de 2010

Lennon 70

Comecei a escrever este texto no dia 11 de outubro.

Ontem, quando a mídia alardeava os 70 anos que John Lennon faria se estivesse vivo, lembrei-me de ter baixado um documentário recente, chamado "The U.S. vs. John Lennon", de David Leaf e John Scheinfeld II.

Gostei. O Lennon nova-iorquino é mostrado em seu viés mais político devido aos problemas que causou ao governo Nixxon. Basicamente, o ex-beatle se torna um ativista contra a guerra do Vietnã, bancada pelo corrupto presidente. Só que o poder de alcance de John chegou muito mais longe do que se imaginava e do que os governantes toleravam.

Não creio que Lennon fosse revolucionário, mas se deu a liberdade de conhecer novas ideias e figuras.Conversou e foi amigo de líderes da esquerda mais radical que havia nos EUA na época (pelo menos segundo o documentário), lidando, inclusive, com grupos armados, como o Partido dos Panteras Negras.

Tentou inclusive popularizar e acabar com estigmas sobre tais agrupamentos (falando sobre eles nos meios de comunicação).

Havia contradições. John tinha muito dinheiro e levava uma vida de luxo. Apesar dos contatos descritos acima, era pacifista e acreditava que a mudança das ideias era a chave para alterar o mundo (assim como os neo-hegelianos?).

Mesmo tendo discordância com a visão do mais famoso beatle, respeito-o por ter chegado ao ápice do estrelato e não ter ficado satisfeito simplesmente com o mais do mesmo, cantado "love songs", tomado garrafas do mais caro champagne e mantendo praticamente nula sua influência sobre atitudes políticas da juventude.

A infância em um bairro operário, a visão (conjunta com outros integrantes) de que a superficialidade havia tomado conta da carreira dos Beatles e a noção de que a sua figura poderia influenciar os jovens a agir contra a guerra foram fatores que fizerm Lennon usar sua criatividade em canções mais politizadas (Power to the People, Working Classe Hero, I Don't Wanna Be a Soldier Mamma, I Don't Wanna Die, entre outras) e, principalmente, nas genais zombarias aos grandes meios de comunicação (lua de mel na cama, Newtopia, entrevista dentro de uma bolsa, etc.).

Não sei se é porque na minha geração os artistas mais engajados falam de sustentabilidade no ecocapitalista SWU, mas acredito na sinceridade de Lennon. Ele não fazia aquilo para vender mais discos, para ser o artista mais bem pago de sua geração. Ele já tinha alcançado o topo e viu que ele era entediantemente falso e superficial. Mesmo que de forma ingênua e sem sair de seu palácio, Lennon tentou mudar algo. Mas, obviamente, não foi suficiente.

Agora, uma música que não tem relação com o post, mas que é muito bonita e eu nunca tinha reparado:


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Metalinguagem: demorei muito tempo para escrever. Cada hora lembrava de uma coisa.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Sozim

Como estou com preguiça de postar, apesar de querer falar de algumas coisas (ver "editorial"), deixo aqui o clipe de uma música do Emicida que tenho ouvido muito.