
Na escola, não se falava em outra coisa. Eu, palmeirense fanático, ostentava minha única camisa do Palestra durante a aula semanal de educação física, mesmo que a turma não estivesse jogando futebol.
No fim de semana, o primeiro jogo do final. Sem mais delongas, vitória do Corinthians por 1x0, com um gol de Viola. Como se isso não bastasse, o autor do gol corintiano imitou um porco (símbolo do Palmeiras) na comemoração. Fiquei com uma raiva desgraçada!
Na aula de educação física da semana seguinte, não temi chacotas ou provocações: fui com a minha camisa do Palmeiras novamente. Eis que o corintiano (e provocador) professor trava um diálgo mais ou menos assim comigo:
-Xiii, você ainda acredita na porcada?
-Claro que sim! Tem Evair, Edmundo...
-Olha, aposto com você. Se o Corinthians for campeão, você veste a camisa do Timão. Caso contrário, eu visto a do Palmeiras.
-Apostado!
E após o cumprimento, selamos a aposta. Não sei de onde eu tirava tanta convicção. O Palmeiras não ganhava um campeonato havia 16 anos. Todo o regulamento da final favorecia o Corinthians, pois o Verdão precisava vencer por mais de um gol de diferença no tempo normal e depois ainda empatar na prorrogação. Mesmo assim, nada abalava minha convicção.
Chega o grande dia e eu vou com meu pai ao templário bar do Cezinha para assistir à final. Enquanto todos ficavam surpresos com os gols alvi-verdes que surgiam um apó o outro, eu apenas agradecia a Deus os pedidos feitos à noite, antes de dormir para que o Palmeiras ganhasse; eu apenas confirmava minha certeza, minha ingênua e infantil certeza.
Depois dos 4x0, dos pulos, da vibração, do grito de campeão, meu pai me comprou uma bandeira do Palmeiras e saímos à rua para comemorar a conquista. Foi um dos melhores dias da minha vida.
Mas o melhor ainda estava por vir. O professor, além de vestir a camisa do Palmeiras, deu-a para mim, no dia do meu aniversário, em agosto.
Eu tinha 7 anos.
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Tudo isso para dizer que, finalmente, depois de nove anos de jejum sem perspectivas, o Palmeiras monta um time com chances de ser campeão. A convicção não é a mesma da infância, mas a esperança é verde.
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Metalinguagem: texto inspirado no curta Uma História de Futebol, de Paulo Machline. A história não tem nada a ver, mas como fiquei bem emocionado com o filme, resolvi escrever esse texto para me lembrar de um momento marcante do futebol na minha infância.
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Metalinguagem: texto inspirado no curta Uma História de Futebol, de Paulo Machline. A história não tem nada a ver, mas como fiquei bem emocionado com o filme, resolvi escrever esse texto para me lembrar de um momento marcante do futebol na minha infância.