Mercy Zidane: charge
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Precarization #03 - Reforma da previdência

 Não tá fácil ser trabalhador no Brasil, ainda mais com o absurdo projeto de reforma da previdência proposto pelo governo de Temer, que, caso aprovado, obrigará o contribuinte a trabalhar 49 anos para ter aposentadoria integral.

Para ver os números um e dois do Precarization, clique nos links. Para o ver a charge acima em alta resolução, clique nela.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Papo de pomba

 A  única inspiração que surgiu nesta semana foi essa. Para ver outras charges, clique aqui.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Grito de "porco" no tiro de meta: usando o amor do torcedor para combater a homofobia



 Quem foi a primeira pessoa a gastar seu tempo livre para fazer uma flâmula colorida e agitá-la na arquibancada para incentivar seu time de football? Quando surgiu o bandeirão? Como foi composta a primeiríssima música original cantada em uníssono num estádio lotado? Quem foi que teve a ideia de vender pipoca e churrasquinho para ganhar um troco na saída do jogo?

Essa atmosfera riquíssima que envolve uma partida de futebol in loco (e que as novas arenas brasileiras tentam amenizar e a Polícia Militar de São Paulo luta para proibir - palavra adorada pela corporação) está cheia de contribuições de anônimos; é uma eterna construção coletiva. Algumas atitudes surgem espontaneamente em tudo quanto é lugar, outras são tradições locais e ainda há as que se espalham como pragas com o mínimo contato entre torcidas, seja em torneios continentais, mundiais ou até via televisão.

Certos atos não são fortes o suficiente para resistirem ao tempo, outros duram até os dias atuais e fazem parte do ritual futebolístico.

Há pouco tempo os estádios brasileiros apresentaram uma péssima novidade, dessas de rápida viralização: o grito de "bicha". Quando o goleiro do time adversário se prepara para bater um tiro de meta, os torcedores locais gritam "eeeeeeeeeeeeeeeeee..." num crescente que só é interrompido quando o arqueiro chuta a bola para o campo adversário e os presentes berram: "bichaaaaa".

A origem?


O grito ganhou força em terras tupiniquins em 2014, na Copa do Mundo (sim, mais um "legado da Copa"). Na partida entre Brasil e México, os americanos do norte abusavam do ritual descrito no parágrafo anterior, só que em vez de "bicha", gritavam "puto" - que tem o mesmo significado: homossexual. Para retrucar o que seria um xingamento, os brasileiros adaptaram a palavra: "bicha". Pouco tempo após o término do certame internacional, torcedores de vários times do país se sentiam familiarizados com a "provocação".

Segundo a infalível internet, o grito é oriundo do México e está ligado ao goleiro Oswaldo Sanchéz, mas há diferentes versões da história - a que me pareceu mais aceitável foi a seguinte: Sanchéz jogava no Atlas, de Guadalajara, e se transferiu para o América; anos mais tarde, em 1999, voltou à cidade natal para atuar no Chivas, que tem forte rivalidade com o Atlas. O arqueiro teria dito que era agradecido ao Atlas, mas que seu coração sempre pertenceu ao Chivas. Os torcedores do rojinegros expressaram seu ódio com relação ao ex-jogador por meio do grito de "puto" nos tiros de meta de um clássico tapatío, como é conhecido o jogo entre as duas agremiações de Guadalajara, em 2003.

O ato se alastrou por todas as torcidas mexicanas e chegou à seleção nacional. Os berros foram ouvidos nos jogos do México nas Copas do Mundo de 2006 e 2010. Foi apenas o contato mais pessoal, vindo com a Copa de 2014, que fez o ritual homofóbico dar as caras em jogos de times da primeira divisão do Brasil.

Uma eficaz e perspicaz iniciativa

 

Após diversas ameaças, a Fifa, entidade máxima do futebol, multou 11 federações por comportamento homofóbico de suas torcidas, incluindo as do Brasil e do México em outubro de 2016, em jogos válidos para eliminatórias do torneio mundial de 2018. No país da América do Norte, a federação nacional chegou a lançar uma campanha para evitar tal comportamento por parte da hinchada, aparentemente com pouca adesão.

O Brasil é um país em que o futebol, tratado como "reduto do macho", é uma das válvulas de escape mais fortes para expressar o machismo e a homofobia (até por isso a camisa 24 é informalmente banida por estas bandas) e tudo o que não precisávamos era de mais uma tradição idiota. Mas já que ela se estabeleceu, como combatê-la?

Um grupo de torcedores do Palmeiras autodenominado M20-9 lançou uma campanha virtual inspirada em games dos anos 90 para pedir que a torcida troque o "bicha" pelo "porco" nos tiros de meta do goleiro adversário. Assim, em vez de alastrar a homofobia, o palmeirense exalta o mascote de seu próprio time.

Confira aqui e confira o vídeo na íntegra (não consegui embedar direto do Facebook).

A campanha não faz com que o homofóbico questione sua "brincadeira inofensiva" num dos países que mais mata LGBTTI no mundo, pois ela não é um combate frontal ao preconceito - apenas insta o apaixonado pelo time a fazer a "pressão do jeito certo"; mas é extremamente perspicaz ao usar o sentimento mais valioso para um torcedor (o amor ao time) como arma para jogar esse nova tradição para longe. É melhor combater a homofobia sem esse grito estúpido de "bicha" do que com ele...

E o que aconteceu na partida do Palmeiras contra o Sport? O negócio deu certo. Eu fui ao jogo e pude ouvir os gritos de "porco" na hora do tiro de meta do goleiro Magrão. Não houve muitos tiros de meta, é verdade, e não sei se o setor do Allianz Parque em que eu estava tinha mais gente disposta a abraçar a campanha do que os demais, mas o fato é que funcionou.

Se analisarmos em termos táticos, talvez uma campanha mais combativa e que colocasse o dedo na ferida, mostrando como o torcedor que grita "bicha" está sendo escroto e perpetuando violências não fosse tão eficaz com a grande quantidade de homofóbicos e machistas que é maioria em estádios e que não tem a cabeça aberta para se questionar. Dessa forma, grito poderia simplesmente perdurar por anos a fio no Palestra.

A luta contra a irracionalidade da homofobia é longa e dura, ainda mais no futebol, mas esse pequeno ato, com suas limitações, é muito importante e precisa se tornar uma marca registrada não apenas do Palmeiras, mas de todas as torcidas do Brasil.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Sobre amor romântico e a chatice das canções do rádio



 Se fosse possível compilar e classificar todas as canções (aquelas músicas produzidas com base em uma letra cantada por voz humana e acompanhadas por instrumentos musicais) já feitas, eu chutaria, baseado no meu preciso achismo, que mais de 75% delas têm um único tema: o amor.

"Será que tinha tanta música de amor, sei lá... Na Europa do século X? Ou nas organizações sociais indígenas do Brasil antes de 1500"? Não, só que como a produção de canções no último século cresceu exponencialmente, muito influenciada pelo individualismo ocidental e pelos mercados europeu e estadunidense, mantenho o meu chute aí de cima. Mas voltemos ao ponto central da questão...

Ahhhhh, o amor. Esse sentimento tão inexplicável, mágico, citado por zilhões de poetas, "impossível" de ser definido. Qual é o principal ensinamento que eles nos passa? Um bem assustador: não há qualquer possibilidade de ser feliz sem o amor. Tá todo mundo atrás de um xodó. Como diria Arnaldo Antunes no álbum Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas, dos Titãs, "uma pessoa boa quer amor, uma pessoa má quer amor, todo mundo quer amor de verdade".



A paixão acelera o coração, faz tremer as pernas, enrubesce. O amor dá saudades, é companheiro e aconchegante. Mas todo mundo que teve uma relação forte com outra pessoa já se perguntou se realmente a amou... E mesmo quando a resposta foi positiva, refez a questão depois que o sentimento acabou, às vezes mudando a resposta. Depois de uma desilusão ou quando a rotina transforma o sexo em algo mais chato do que assistir televisão, muita gente se pergunta se o amor, em geral, existe.

Li um texto curto e bem legal da Laura Pires sobre o tema, publicado em 2014. Com base em seus estudos de mestrado sobre o discurso do amor romântico, Pires o desconstrói e incentiva o leitor a pensar que o amor nada mais é do que uma relação de amizade com respeito intenso em que os indivíduos querem passar algum tempo (não necessariamente todo o tempo) juntos, algo muito menos mágico e indescritível do que usualmente se pensa. Nessa linha, ela inclusive fala das possibilidades de relacionamentos abertos e poliamorosos, menos baseados em posse (mesmo estando longe de serem perfeitos, em minha opinião).

Só que o discurso do amor romântico que permeia várias esferas da vida faz acreditarmos que o destino reserva a pessoa perfeita que irá dividir a vida toda conosco com a mesma intensidade, após décadas de convivência, do dia do primeiro beijo. Há possessividade, obrigações e negações de vontades. Promete-se o amor eterno diante do padre ou do juiz, sem a convicção do cumprimento. E não por falta de "amor", mas simplesmente porque nós e as relações que nutrimos mudam com o passar do tempo - e não há nada de errado com isso.

A história se repete, é claro, nas letras de canções radiofônicas (ou emitidas via streaming, como fica cada vez mais comum). Temos aí a profusão de músicas de amor cheias de clichês românticos difíceis de engolir. "Você é meu sol", "Amor eterno", "Sempre vou te esperar" e outras frases parecidas, em diversos idiomas, surgem todos os dias e podem ser ouvidas em qualquer lista de Spotify, Deezer ou nas rádios FM.

Em algumas vezes a melodia agrada e saímos repetindo a letra como se a mensagem transmitida fosse neutra, já que falar de amor é tão comum e genérico que pouca gente presta atenção. É uma muleta, é como falar de um ponto em que não há discordância. Não que alguns (apenas alguns) autores de canções não estejam realmente apaixonados ou amando (por mais questionável que a definição seja) quando produzem suas obras, mas é mais fácil falar de um tema tão amplamente aceito do que de toda a maluquice que existe no mundo para além das aflições de nossos corações, ou do que questionar o amor romântico, desconstrui-lo e duvidar da ideia de que o amor é tão essencial assim para todos.

Uma exceção que, junto com o texto da Laura, me fez pensar em tudo isso foi a música "Nós Dois", cantada por Karina Zeviani no álbum "Saudade", do Thievery Corporation. Nela, a interlocutora está nutrindo forte sentimento por uma pessoa. Sonhos são construídos em conjunto, mas em vez da jura de amor eterno, o que se ouve é uma promessa de "curtir enquanto a vida nos deixar", "enquanto for bom pra você e para mim", seguindo o conselho de Vinícius em Soneto da Fidelidade: que não seja imortal, posto que é chama / mas que seja infinito enquanto dure.



O amor, ou essa relação de amizade com respeito e compartilhamento do tempo, não precisa ser eterno para valer a pena ou dar certo. Precisa apenas existir. E as canções com essa temática, quando sinceras, mesmo não tendo tanta chance de sucesso, têm mais possibilidade de tocar as pessoas.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Conheça e lute contra a PEC 241


A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241 está ficando popular como PEC da maldade, do fim do mundo, da morte... E a imprensa, por outro lado, chama-a de PEC do reequilíbrio de gastos, PEC do teto. Ela foi aprovada em primeira votação na Câmara em 10 de outubro. Ainda haverá tramitação na própria Câmara e no Senado antes que ela seja realmente aprovada e passe a valer, a partir de 2017.

Basicamente, ela é um absurdo desse governo golpista. Proposta pelo governo de Michel Temer e pelo ministro da fazenda interino Henrique Meirelles, irá, por exemplo, congelar investimentos (limitando-os ao reajuste de índice inflacionário) em saúde e educação no Brasil por 20 anos para que o país supostamente volte a crescer. Os ricos não terão suas fortunas e heranças taxadas e o imposto progressivo não será aplicado; são os pobres que vão pagar pela crise. Sem saúde e educação, pagarão com falta de perspectiva, subempregos e com suas próprias vidas devido à falta de recursos na saúde pública.

Veja aqui uma lista de links para conhecer várias opiniões a respeito da PEC. Haverá atos em diversas cidades contra o absurdo.

O desenho faz parte do Inktober 2016 e postei no Instagram.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Raio privatizador paulistano

Parece que o tal João pretende fazer a festa de seus amigos da iniciativa privada em São Paulo a partir de 2017. Se você vir um suéter voador pelos céus da capital, tome cuidado!

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terça-feira, 13 de setembro de 2016

Enquanto isso, no mundo das metáforas de Temer...

Sim, todo mundo tem o direito de se equivocar em algum momento. Mas resolvi pegar no pé do Drácula porque, além de ser um golpista, foi exaltado por parte da imprensa como uma pessoa "culta" e "que fala português correto" (só por ter usado uma esdrúxula mesóclise). Se o mesmo fato ocorresse com os petistas Lula e Dilma, os colunistas reaças e com ranço antipobre iriam cair de pau. Dessa vez, no entanto, fizeram vista grossa.

Para quem não viu a notícia, Temer disse que se sentia como Carlos Magno, da Távola Redonda.

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terça-feira, 23 de agosto de 2016

Saque no saco de saquê na sacada

Bom... O que dizer sobre isso?

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terça-feira, 9 de agosto de 2016

Brincadeira olímpica realista

É uma piada meio infame, mas essa é minha especialidade. Uma das promessas do tal legado olímpico para o Rio de Janeiro era a despoluição da Baía da Guanabara - algo que muitos técnicos disseram ser inviável na época do anúncio. Eles estavam certos (veja mais aqui). Para além da insalubridade para os esportistas, a população não vai poder aproveitar dessa opção de lazer quando o evento acabar - e muita gente parece ter levado uma graninha nesse processo, já que há acusações de improbidade administrativa na despoluição.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Oração ao Santo Zuck

Santo Zuck, da Califórnia
Com seu sorriso garageiro
Pega meus dados, sorrateiro
E vende, sem me pagar

Ele é o santo da amizade
Recebo solicitação maluca
De gente que nem vi as fuça
Mas que curte o que eu postar

Um dos que nunca vi
Certo dia fez post indireto
E achei que fosse papo reto
Com a intenção de me atacar

Então tomei a liberdade
De contradizer em caps lock
MALUCO, VAI CARPIR LOTE
Vi nossa amizade acabar

De tanto invejar viagens
E xeretar na vida dos outros
Já me taxaram de louco
Pensaram em me internar

Mas não tiveram coragem
Pois o doutor, nas receitas
Disse, com todas as letras
"A conta... Vai deletar"

Depois de olhar pros gatos
E pras selfies do facebook
Perguntei pra Deus, amiúde
Isso nunca vai terminar?

"Não, o Zuck trabalha muito
Para criar uma novo algoritmo
Transformando a vida num istmo
Rodeada pelo feice-mar"

Pois então pensei um pouco:
Só me resta, com humildade
Publicar essa dura verdade
Rezando pro post bombar

terça-feira, 12 de julho de 2016

Precarization #02 - Reunião dos industriais

Minha singela homenagem à Confederação Nacional das Indústrias (veja mais nesta notícia).

Para dar uma olhada na outra charge da série, clique aqui. Aproveite e siga o MZ nas redes sociais!

terça-feira, 28 de junho de 2016

Precarization #01 - Modernidade

Wow, a modernidade assusta hein!

Comecei essa série intitulada "Precarization". A ideia é soltar uma charge ou tira mais ou menos no mesmo estilo dessa aí de cima (falando sobre o maravilhoso mundo do trabalho precário) ao menos uma vez por mês. Mas quem sabe eu não bata e dobre a meta?

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Salmo paulistano

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terça-feira, 17 de maio de 2016

Correndo pra trás

Charge baseada em sugestão do meu amigo Marcos André Andrade, o Marquito. Para ver em alta resolução, clique na imagem.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Quase tudo azul

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segunda-feira, 14 de março de 2016

A burrice dos técnicos palmeirenses



 Por Alberto Suzano* e Pedro Gomes Chaves

Todo palestrino sabia que o time de Marcelo Oliveira não andava bem das pernas. Depois de um início promissor, em que o técnico deu a tão esperada verticalidade ao escrete verde e branco (a partir de lançamentos longos e cruzamentos da intermediária - que melhoraram consideravelmente o poder de fogo da equipe, diga-se), as falhas na marcação, na compactação e na criação de jogadas fizeram o resultado final da campanha do Brasileirão 2015 ser decepcionante: um modesto nono lugar, vindo com muitos chutões que procuravam (e não encontravam) os jogadores de ataque.

Na Copa do Brasil do ano passado, a história foi outra. Ao contrário do que disse boa parte da imprensa, o Palmeiras não fez bons jogos apenas quando atuou em casa, com a intensidade costumeira, impulsionada pelo calor da torcida. As partidas contra Cruzeiro e Inter foram bem inteligentes; na segunda, inclusive, os comandados de Oliveira poderiam ter saído com a vitória no Beira Rio. Houve jogos ruins em casa, é verdade, como contra o próprio Inter, além do segundo tempo contra o Fluminense - sem contar partidas abaixo do esperado contra Santos e Flu, fora de casa. Mesmo assim, o nível do futebol, na somatória dos jogos, foi satisfatório.

Em pouco mais de cinco meses de comando, uma final. Com o título, a diretoria afastou as cornetas que já rondavam a careca do sósia de Gargamel e teve certeza de que havia feito a escolha certa. Sem perder as principais peças, com mais oito reforços e tempo para a pré-temporada, não tinha como dar errado. O gigante Palmeiras seria um dos candidatos ao título da Libertadores.

Mas a realidade mostrou que as coisas não seriam tão fáceis quanto se pensava. Após jogos razoáveis em torneio de pré-temporada do Uruguai, houve quedas no Paulistinha... E o pior: a equipe apresentava as mesmas falhas do ano anterior, que já irritavam a turma do amendoim, transformando Marcelo em mais um burro, um técnico incompetente. Com a derrota em casa ante o Nacional do Uruguai, pela Libertadores, Paulo Nobre quebrou mais uma promessa e demitiu o técnico que, segundo ele, seria o último de seu mandato.

Façamos agora uma digressão. Fim de 2014. Palmeiras se salva do terceiro rebaixamento de sua história. Como técnico-tampão, Dorival Junior é demitido e tem início um novo projeto, com um elenco reformulado e Oswaldo de Oliveira como comandante. O time, em formação, demonstra afinidade com o toque de bola, apesar de certa lentidão e dificuldade na criação. Vence jogos importantes (como o 3x0 contra o São Paulo) e elimina o Corinthians, em um épico empate em Itaquera.

Em pouco mais de quatro meses de comando, uma final. A derrota nos pênaltis contra o Santos deu a certeza à diretoria de que o time estava no caminho certo, apesar do vice, e que ele deslancharia no início do Brasileiro, sendo um dos candidatos ao título.

A realidade mostrou que as coisas não seriam tão fáceis quanto se pensava. Pouco mais de um mês após a disputa da final, OO caiu. O time não apresentou bons resultados frente a adversários mais cascudos do Brasileiro. Oswaldo virou burro, técnico incompetente.

As redundâncias de linguagem servem para mostrar que ambos Oliveiras tinham seus defeitos e o futebol praticado por suas equipes mostrou isso, mas será que esse curto ciclo vai se repetir para sempre? Um projeto é criado, o técnico vai bem no começo, tem uma queda rápida e é demitido. É possível montar um time consistente, com padrão de jogo definido, se a equipe troca de técnico ao menos uma vez por ano? Se com cada crise ou fuga de rota dos objetivos previstos pela diretoria o técnico cair, as chances de sucesso se resumem ao ganho de competitividade interna no elenco em um curto espaço de tempo após o novo técnico assumir (pois os jogadores encostados veem que podem ter nova chance). Depois disso, os velhos problemas vão aparecer novamente.

Com a grande desorganização do futebol brasileiro, a dança das cadeiras dos treinadores é absurdamente comum, assim como o discurso da imprensa de que é preciso que haja trabalhos mais longos e menos demissões de comandantes técnicos. Mas a mesma imprensa é a primeira a achar motivos sempre maiores que o planejamento para tentar quebrar a sequência do treinador: grupo rachado, falta de comando, má relação com a pressão de clube grande, apatia, ou o subjetivo "não deu liga" são as mais comuns desculpas usadas nos jornais, nos programas de TV e na internet. Há quem diga que existem sinais claros de quando o técnico pode fazer o time evoluir ou não - mas convenhamos que poucos desses entendidos eram favoráveis à permanência de Tite no Corinthians após a eliminação frente ao Tolima, em 2011, na pré-Libertadores - cinco anos depois, graças àquela permanência inusitada e à competência do profissional, Tite é o maior técnico do Brasil; e o Corinthians, que teve pouquíssimos técnicos diferentes nos últimos anos, é o time com mais conquistas relevantes recentes.

Assim, aceitando a pressão de conselheiros, da torcida impaciente e da imprensa, as diretorias que se dizem diferentes fazem as mesmas coisas que velhos cartolas carcomidos faziam. Com a desculpa de "não pecarem pela omissão", livram-se do peso de um planejamento interrompido. Voltando ao caso do Palmeiras, agora, no meio da Libertadores, o novo técnico terá que usar da competitividade interna do elenco para buscar pontos muito difíceis fora de casa, pois nem o mais iluminado dos treinadores seria capaz de tirar um padrão tático da cartola e incorporá-lo ao time, que o procura desde o início de 2015. Cuca, já contratado como substituto de Oliveira, é bom treinador e pode dar certo no Palmeiras (como foi dito que poderia ocorrer com Marcelo, na época da saída de Oswaldo), mas ele não pode vir apenas para salvar a lavoura com resultados de curto prazo. Seu estilo de jogo precisa ser implantado e isso leva tempo.

Será que o toque de bola planejado por Oswaldo de Oliveira estaria, no início de 2016, sendo mais ágil a ponto de furar bloqueios adversários, caso ele tivesse se mantido no cargo? Será que a verticalidade de Marcelo Oliveira iria encontrar a organização necessária para não depender tanto de chutões a ponto de conquistar uma classificação importante para as oitavas da Libertadores?

Será que Cuca vai virar burro e técnico incompetente na mesma velocidade que Luxemburgo, Muricy, Felipão, Tite, Oswaldo de Oliveira e Marcelo Oliveira e todos os técnicos top que passaram pelo Palmeiras e vestiram o boné da charge no início do post? A resposta é sim. Não importa quem seja o treinador, a turma do limão palmeirense vai chamá-lo de burro. A questão é manter essa pressão distante e dar tempo para o profissional implantar seu estilo de jogo, mesmo que eliminações e derrotas sejam o preço. Ou será que eliminação na Libertadores e começo instável no Brasileiro já justificariam a queda de Cuca?
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*Charge também por Alberto Suzano - clique na figura para ver em alta resolução

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

O que era para ser uma HQ contra o aumento da tarifa do busão

Em janeiro deste ano, depois de ir a um ato no centro de São Paulo que praticamente nem chegou a acontecer (tamanha a velocidade de repressão da Polícia Militar Que Tem Que Acabar), pensei em retratar, numa história em quadrinhos, a coisa mais elementar de todas as manifestações contra o aumento da passagem de que participei, desde 2011: a raiva contra a injustiça.

Hoje em dia, a crise tá pegando... Muita gente perdeu o emprego e outros tantos estão com medo de que isso aconteça. Quem tem poder acha que as costas dos que estão na base da pirâmide servem justamente para socializar as perdas. Tudo está mais caro, e o direito de ir e vir não poderia ficar de fora.

Isso faz muita gente ir às ruas, ainda mais sabendo que os lucros dos mafiosos dos transportes vão continuar altíssimos (e continuariam mesmo se os trinta centavos de aumento não se efetivassem). O problema é que essa vontade de mudar as coisas, sozinha, costuma não ser tão efetiva.

Em 2013, antes dos protestos se tornarem gigantescos, eu achava (com base no que vi em 2011) que os atos contra o aumento da passagem não dariam em nada, pois apesar de duro, o aumento da tarifa acabava sendo algo suportável. Com um passinho a mais pro lado, dava pra levar.

A realidade mostrou que, naquele ano, eu estava errado, mas houve uma imensa conjunção de fatores para tudo acontecer exatamente daquele modo. A raiva contra a injustiça estava lá, mas nessa mistura também estavam a cobertura da mídia, a influência da Primavera Árabe, a repressão descontrolada da PM, a tentativa de coxinização do movimento, a falta de representatividade dos partidos da ordem e por aí vai. Tem gente estudando e debatendo os fatores até hoje (e isso deve durar por um bom tempo).

É difícil prever se uma movimentação popular vai estourar ou não, mas é bem provável que se há um grupo de pessoas na rua, a raiva contra a injustiça (fundada ou não - vide o exemplo do pessoal de verde amarelo) vai estar lá. Resolvi retratar essa "figurinha repetida" para ajudar na divulgação dos atos - bolei um roteiro com doze quadrinhos e versos rimados, que mostravam como ela era criada a partir do desconforto, do descaso com o transporte, do machismo no busão e da grana no bolso dos engravatados. Infelizmente, a minha velocidade de produção não é muito alta e o movimento desse ano não mostrou a força de 2013 e nem os diversos fatores discutíveis (e seus pesos de influência) daquele ano. Não consegui realizar tudo o que planejei, mas o primeiro quadrinho fica aí, como uma ilustração desse pensamento um tanto quanto solto. Quem sabe nos próximos anos eu não termino a história.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Temos que falar mais sobre abuso sexual



Carol Almeida é uma grande amiga minha. A gente se conheceu em Bauru, cursando a faculdade de jornalismo. Há mais de dez anos conversamos quase que diariamente sobre variadíssimas coisas (de futebol a relacionamentos, de política a piadas, de trabalho a seriados). Eu comentei com ela sobre a ideia de postar textos de outras pessoas neste blog, complementando com desenhos meus, e ela, depois de alguns dias, escreveu esse relato extremamente corajoso e perguntou se eu gostaria de publicar. Para falar sobre um tema delicadíssimo como esse, que ocorre com tantas meninas diariamente no Brasil e no mundo, nada melhor que uma mulher. O que fiz foi tentar apenas introduzir o leitor ao texto com uma charge que condensa um pouco do argumento da autora (clique na imagem para ver em alta resolução) ~ Alberto Suzano.


Temos que falar mais sobre abuso sexual

Por Carol Almeida

Há algum tempo, diversos movimentos nas redes sociais têm me feito pensar bastante sobre ser mulher. Eu pensei muito antes de escrever e mais ainda antes de publicar esse texto, mas os relatos me fizeram conversar mais sobre o assunto. Descobri que falar abertamente sobre abusos sexuais, seja com o psicólogo, com amigos ou até com desconhecidos, faz uma diferença brutal na forma como eu enxergo e lido com o problema. E é por isso que decidi falar aqui sobre #meuprimeiroassédio e #meuamigosecreto, porque #chegadesilêncio.

O primeiro abuso que sofri foi de um primo, adolescente. Eu devia ter uns 6 ou 7 anos, ele me colocava no colo e me usava para se masturbar. Foram várias vezes, e em uma delas cheguei a sentir esperma na minha calcinha. Eu não entendia o que aquilo significava e não sabia o que estava acontecendo. Tinha uma vaga ideia de que era errado, já que era sempre escondido, mas era confuso, estranho. Não contei para ninguém e durante muito tempo eu não consegui explicar o porquê de não falar. Não conseguia explicitar se era vergonha, medo dos julgamentos ou simplesmente porque acreditava que não valia a pena ser falado. Simplesmente não contei.

Até que falei com uma prima, que também era abusada. E quando chegou aos ouvidos da família, o que eu ouvi foi: "se você não contou antes é porque você gostava". Essa é a única frase que me lembro da conversa. Eu posso ter ouvido uma explicação sobre o que era aquilo, posso ter sido alertada de que não estava certo, de que ele não deveria ter abusado... Mas eu só me lembro dessa frase: “se você não contou, é porque estava gostando”. E assim eu cresci, sempre com essa frase martelando na minha cabeça e mostrando que eu é que estava errada por ter “deixado” e “gostado”.

O abusador não teve uma frase martelando na cabeça dele. Eu tenho que vê-lo em todas as festas de família e responder pra todo mundo “porque é que eu tenho tanta implicância com ele”. A primeira vez que expliquei o real motivo foi para algumas primas e todas elas me disseram que isso é normal, que elas também sofreram abusos e que eu tinha que “deixar pra lá”, “não guardar mágoas”. E eu acreditei que eu tinha mesmo que esquecer. Se acontecia com todo mundo, por que só eu não superei? Por que é que elas conseguiam falar sobre (e fazer) sexo naturalmente e eu não? Alguma coisa estava errada comigo.

E foi assim que também “deixei pra lá” o segundo abuso, aos 12 anos, de um dentista. Ele passou as mãos nos meus seios enquanto eu estava imobilizada na cadeira do consultório dele. Não contei pra ninguém, porque o certo era deixar pra lá, esquecer e fingir que não aconteceu.

Acontece que esses abusos não me “deixaram pra lá”. Eu cresci aprendendo que sexo é errado. Que se eu não contei para ninguém é porque eu tinha gostado, e era errado eu gostar. Mas nunca aprendi que era errado o que eles fizeram, nunca aprendi que tinha sido uma vítima. O que era errado era eu não ter contado, eu ter deixado, eu ter gostado. Isso foi me acompanhando durante toda a vida, atrapalhando minha sexualidade, influenciando nos meus relacionamentos, me fazendo se sentir culpada por tudo. Eu só poderia fazer sexo com “um namorado”, alguém que me amasse e quisesse casar comigo, porque só assim eu estaria fazendo o certo, finalmente.

Depois de muito tempo carregando a culpa de ter “gostado” do abuso, o próprio abusador perguntou por que é que eu não gostava dele. E quando, reunindo muita coragem, eu disse que é porque ele abusava de mim, ele falou que “nunca faria isso”, que isso era “coisa da minha cabeça” e que ele achava que eu tinha ciúmes por ele “não ter ficado comigo” quando eu era adolescente.

E foi só aí, mais de uma década depois dos abusos, que eu vi que tem alguma coisa muito errada com o mundo, e não comigo. Enquanto eu me sentia culpada, com medo, com vergonha ou sei lá como definir o sentimento, o cara que abusou de mim não lembra, não tem nenhum peso na consciência e ainda acredita que eu tinha ficado “chateada” por ciúmes.

Eu aprendi a questionar e depois de algumas sessões de terapia e muitas conversas consegui entender que o que me calava era a culpa. Mesmo entendendo racionalmente que eu era uma criança e não tinha consciência do que acontecia, nós nos sentimos culpadas porque estão nos ensinando errado. Ao invés de ensinar a eles que eles não podem abusar, nos ensinam que não podemos estimular. Ao invés de ensinar a eles que eles nos devem respeito e nosso corpo é só nosso, nos ensinam a não sair de roupa curta, que não podemos gostar de sexo senão somos putas, que não podemos sair sozinhas à noite. No fim, eles não sabem o mal que fazem a nós, simplesmente porque nos calamos.

Quando eu li as hashtags #PrimeiroAssédio, #ChegadeSilêncio, #Primaveradasmulheres e #AgoraÉQueSãoElas eu descobri que não sou só eu. Que todas (ou quase todas) as mulheres do mundo passaram por situações parecidas, e a maioria por situações muito mais graves do que as que eu passei. É claro que cada mulher consegue lidar com isso de uma forma diferente. Algumas até esquecem, outras não entendem, muitas não pensam sobre isso. Mas todas elas se calam.

Verbalizar o que eu sinto me ajudou a entender muito mais o que foi o abuso e como isso influenciou minha vida até agora. As consequências não foram poucas e eu ainda sofro com elas diariamente. Cada atitude que tomo eu tento não ser influenciada por uma culpa que não é minha.  Estou aprendendo muito e a cada dia e a cada relato aprendo um pouco mais. Chorei quando a Jout Jout fez esse vídeo e falou todas as verdades que eu queria gritar para o mundo, me identifiquei com cada sentimento que a Flávia Tavares colocou no texto dela... Não é fácil escrever esse texto e é muito difícil publicá-lo, mas tenho certeza que isso não pode continuar acontecendo com outras pessoas.

Recentemente, falei sobre os abusos que sofri em algumas conversas. É uma experiência interessante ver a cara de susto dos homens e o olhar de entendimento das mulheres. A resposta padrão dos homens é “esses caras são bandidos e deveriam ser presos”, e o meu ponto é que se quase todas as mulheres que conheço sofreram abusos, muitos homens da minha convivência também abusaram. Faltariam cadeias para colocar todos os abusadores, e é um absurdo que as pessoas ainda não saibam disso.

É por isso que precisamos de mais relatos, mais textos, mais gritos. Todo o barulho que fizermos vai ser pouco para que os abusos não sejam encarados como algo “normal” pelas mulheres e para que as consequências deles sejam percebidas pelos homens. Hoje, eu me sinto inferior e desigual. Eu olho no espelho mil vezes e penso se é melhor sair de casa com um shorts curto ou evitar ouvir comentários sobre meu corpo na rua, mas o cara que abusou de mim não tem que fazer essa reflexão. Eu tenho medo de sair na rua sozinha de madrugada e fico pensando em mil formas de me livrar de um estupro caso aconteça, mas o dentista ainda sai normalmente, a hora que quiser, sem pensar nessa possibilidade.

Então, me junto ao coro da Jout Jout: VAMOS FAZER UM ESCÂNDALO. Vamos gritar, fazer um escarcéu e mostrar para todo mundo que assédios não são normais. De nenhum tipo. O corpo é nosso, a vida é nossa e nenhum homem tem o direito de invadir o nosso espaço e nos agredir. Homens, simplesmente parem de achar que assédio é “elogio”. Mães e pais, mostrem pras suas filhas que elas têm o poder sobre o corpo delas e não podem aceitar abusos, e ensinem aos seus filhos que eles não podem abusar. E mulheres, gritem mais.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Monstro Motivacional #1



Quebrando gelo de outubro, em que não postei quase nada, segue o primeiro desenho de uma série que eu nem sei se vou continuar.

Mais um desenho (como esse aqui) que foi adaptado de uma ideia de Lais.

Para ver em tamanho grande, clique no desenho. Para ver outras coisas do tipo, clique aqui.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Rubel e o "colocar a alma na música"

Num dia qualquer deste ano, depois de ouvir algum disco no YouTube, os algoritmos da plataforma me deram a sugestão da audição posterior: o álbum Pearl, do músico Rubel.

Alguns meses depois, enquanto eu saía do show do mesmo Rubel no Sesc Pompeia, numa terça-feira pós-feriado com muita chuva em São Paulo, fiquei pensando no que aquele disco que encarei de maneira tão desconfiada (pelo nome em inglês e pela indicação mais impessoal possível, pois foi feita por um algoritmo) tinha de diferente do que existe por aí.

Quem ouve as sete músicas de Pearl percebe a voz marcante do compositor; as melodias "aconchegantes" executadas por violões, banjo e acordeom; os coros que fazem lembrar músicas de Chico Buarque; os arranjos simples que exaltam a beleza das canções; a influência do folk; a preocupação com as letras (todas em português, diga-se) e a poesia cotidiana que elas contêm, versando sobre momentos "agridoces" da vida (a tristeza por trás da beleza, a melancolia do amor).

Apesar de muito bem executado pelo músico carioca e por seus parceiros, nada disso é realmente novo. Onde estaria então o tal diferencial que fez com que eu e outras tantas pessoas soubéssemos de cor as letras do show do Sesc Pompeia?

O pulo do gato de Rubel é um clichê tão grande quanto difícil de alcançar: é o tal "colocar a alma na música".

Desafio você, caro(a) leitor(a), a ouvir "Quando bate aquela saudade" e ficar indiferente, sem lembrar de um amor arrebatador que trazia saudades e prazeres; ou a ouvir "Ben" e não pensar nos conselhos que um pai dá para um filho enquanto a "vida corre demais"; ou a ouvir "Quadro verde" e não refletir sobre como queremos esquecer de nós mesmos quando finalmente encontramos um amor.

Rubel, com todas as qualidades citadas três parágrafos atrás, cria o clima perfeito para narrar, com uma devastadora sinceridade, a profundidade de momentos pequenos e bonitos que estão na vida de muita gente. E isso é extremamente difícil de ser feito - basta pensarmos na grande quantidade de músicas de amor que ouvimos a cada dia e que soam como mera encheção de linguiça para emplacar um novo hit radiofônico.

Para aceitar meu desafio, basta clicar aqui e ouvir online ou baixar gratuitamente o disco Pearl.