Mercy Zidane

segunda-feira, 28 de março de 2016

Quase tudo azul

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segunda-feira, 14 de março de 2016

A burrice dos técnicos palmeirenses



 Por Alberto Suzano* e Pedro Gomes Chaves

Todo palestrino sabia que o time de Marcelo Oliveira não andava bem das pernas. Depois de um início promissor, em que o técnico deu a tão esperada verticalidade ao escrete verde e branco (a partir de lançamentos longos e cruzamentos da intermediária - que melhoraram consideravelmente o poder de fogo da equipe, diga-se), as falhas na marcação, na compactação e na criação de jogadas fizeram o resultado final da campanha do Brasileirão 2015 ser decepcionante: um modesto nono lugar, vindo com muitos chutões que procuravam (e não encontravam) os jogadores de ataque.

Na Copa do Brasil do ano passado, a história foi outra. Ao contrário do que disse boa parte da imprensa, o Palmeiras não fez bons jogos apenas quando atuou em casa, com a intensidade costumeira, impulsionada pelo calor da torcida. As partidas contra Cruzeiro e Inter foram bem inteligentes; na segunda, inclusive, os comandados de Oliveira poderiam ter saído com a vitória no Beira Rio. Houve jogos ruins em casa, é verdade, como contra o próprio Inter, além do segundo tempo contra o Fluminense - sem contar partidas abaixo do esperado contra Santos e Flu, fora de casa. Mesmo assim, o nível do futebol, na somatória dos jogos, foi satisfatório.

Em pouco mais de cinco meses de comando, uma final. Com o título, a diretoria afastou as cornetas que já rondavam a careca do sósia de Gargamel e teve certeza de que havia feito a escolha certa. Sem perder as principais peças, com mais oito reforços e tempo para a pré-temporada, não tinha como dar errado. O gigante Palmeiras seria um dos candidatos ao título da Libertadores.

Mas a realidade mostrou que as coisas não seriam tão fáceis quanto se pensava. Após jogos razoáveis em torneio de pré-temporada do Uruguai, houve quedas no Paulistinha... E o pior: a equipe apresentava as mesmas falhas do ano anterior, que já irritavam a turma do amendoim, transformando Marcelo em mais um burro, um técnico incompetente. Com a derrota em casa ante o Nacional do Uruguai, pela Libertadores, Paulo Nobre quebrou mais uma promessa e demitiu o técnico que, segundo ele, seria o último de seu mandato.

Façamos agora uma digressão. Fim de 2014. Palmeiras se salva do terceiro rebaixamento de sua história. Como técnico-tampão, Dorival Junior é demitido e tem início um novo projeto, com um elenco reformulado e Oswaldo de Oliveira como comandante. O time, em formação, demonstra afinidade com o toque de bola, apesar de certa lentidão e dificuldade na criação. Vence jogos importantes (como o 3x0 contra o São Paulo) e elimina o Corinthians, em um épico empate em Itaquera.

Em pouco mais de quatro meses de comando, uma final. A derrota nos pênaltis contra o Santos deu a certeza à diretoria de que o time estava no caminho certo, apesar do vice, e que ele deslancharia no início do Brasileiro, sendo um dos candidatos ao título.

A realidade mostrou que as coisas não seriam tão fáceis quanto se pensava. Pouco mais de um mês após a disputa da final, OO caiu. O time não apresentou bons resultados frente a adversários mais cascudos do Brasileiro. Oswaldo virou burro, técnico incompetente.

As redundâncias de linguagem servem para mostrar que ambos Oliveiras tinham seus defeitos e o futebol praticado por suas equipes mostrou isso, mas será que esse curto ciclo vai se repetir para sempre? Um projeto é criado, o técnico vai bem no começo, tem uma queda rápida e é demitido. É possível montar um time consistente, com padrão de jogo definido, se a equipe troca de técnico ao menos uma vez por ano? Se com cada crise ou fuga de rota dos objetivos previstos pela diretoria o técnico cair, as chances de sucesso se resumem ao ganho de competitividade interna no elenco em um curto espaço de tempo após o novo técnico assumir (pois os jogadores encostados veem que podem ter nova chance). Depois disso, os velhos problemas vão aparecer novamente.

Com a grande desorganização do futebol brasileiro, a dança das cadeiras dos treinadores é absurdamente comum, assim como o discurso da imprensa de que é preciso que haja trabalhos mais longos e menos demissões de comandantes técnicos. Mas a mesma imprensa é a primeira a achar motivos sempre maiores que o planejamento para tentar quebrar a sequência do treinador: grupo rachado, falta de comando, má relação com a pressão de clube grande, apatia, ou o subjetivo "não deu liga" são as mais comuns desculpas usadas nos jornais, nos programas de TV e na internet. Há quem diga que existem sinais claros de quando o técnico pode fazer o time evoluir ou não - mas convenhamos que poucos desses entendidos eram favoráveis à permanência de Tite no Corinthians após a eliminação frente ao Tolima, em 2011, na pré-Libertadores - cinco anos depois, graças àquela permanência inusitada e à competência do profissional, Tite é o maior técnico do Brasil; e o Corinthians, que teve pouquíssimos técnicos diferentes nos últimos anos, é o time com mais conquistas relevantes recentes.

Assim, aceitando a pressão de conselheiros, da torcida impaciente e da imprensa, as diretorias que se dizem diferentes fazem as mesmas coisas que velhos cartolas carcomidos faziam. Com a desculpa de "não pecarem pela omissão", livram-se do peso de um planejamento interrompido. Voltando ao caso do Palmeiras, agora, no meio da Libertadores, o novo técnico terá que usar da competitividade interna do elenco para buscar pontos muito difíceis fora de casa, pois nem o mais iluminado dos treinadores seria capaz de tirar um padrão tático da cartola e incorporá-lo ao time, que o procura desde o início de 2015. Cuca, já contratado como substituto de Oliveira, é bom treinador e pode dar certo no Palmeiras (como foi dito que poderia ocorrer com Marcelo, na época da saída de Oswaldo), mas ele não pode vir apenas para salvar a lavoura com resultados de curto prazo. Seu estilo de jogo precisa ser implantado e isso leva tempo.

Será que o toque de bola planejado por Oswaldo de Oliveira estaria, no início de 2016, sendo mais ágil a ponto de furar bloqueios adversários, caso ele tivesse se mantido no cargo? Será que a verticalidade de Marcelo Oliveira iria encontrar a organização necessária para não depender tanto de chutões a ponto de conquistar uma classificação importante para as oitavas da Libertadores?

Será que Cuca vai virar burro e técnico incompetente na mesma velocidade que Luxemburgo, Muricy, Felipão, Tite, Oswaldo de Oliveira e Marcelo Oliveira e todos os técnicos top que passaram pelo Palmeiras e vestiram o boné da charge no início do post? A resposta é sim. Não importa quem seja o treinador, a turma do limão palmeirense vai chamá-lo de burro. A questão é manter essa pressão distante e dar tempo para o profissional implantar seu estilo de jogo, mesmo que eliminações e derrotas sejam o preço. Ou será que eliminação na Libertadores e começo instável no Brasileiro já justificariam a queda de Cuca?
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*Charge também por Alberto Suzano - clique na figura para ver em alta resolução

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

O que era para ser uma HQ contra o aumento da tarifa do busão

Em janeiro deste ano, depois de ir a um ato no centro de São Paulo que praticamente nem chegou a acontecer (tamanha a velocidade de repressão da Polícia Militar Que Tem Que Acabar), pensei em retratar, numa história em quadrinhos, a coisa mais elementar de todas as manifestações contra o aumento da passagem de que participei, desde 2011: a raiva contra a injustiça.

Hoje em dia, a crise tá pegando... Muita gente perdeu o emprego e outros tantos estão com medo de que isso aconteça. Quem tem poder acha que as costas dos que estão na base da pirâmide servem justamente para socializar as perdas. Tudo está mais caro, e o direito de ir e vir não poderia ficar de fora.

Isso faz muita gente ir às ruas, ainda mais sabendo que os lucros dos mafiosos dos transportes vão continuar altíssimos (e continuariam mesmo se os trinta centavos de aumento não se efetivassem). O problema é que essa vontade de mudar as coisas, sozinha, costuma não ser tão efetiva.

Em 2013, antes dos protestos se tornarem gigantescos, eu achava (com base no que vi em 2011) que os atos contra o aumento da passagem não dariam em nada, pois apesar de duro, o aumento da tarifa acabava sendo algo suportável. Com um passinho a mais pro lado, dava pra levar.

A realidade mostrou que, naquele ano, eu estava errado, mas houve uma imensa conjunção de fatores para tudo acontecer exatamente daquele modo. A raiva contra a injustiça estava lá, mas nessa mistura também estavam a cobertura da mídia, a influência da Primavera Árabe, a repressão descontrolada da PM, a tentativa de coxinização do movimento, a falta de representatividade dos partidos da ordem e por aí vai. Tem gente estudando e debatendo os fatores até hoje (e isso deve durar por um bom tempo).

É difícil prever se uma movimentação popular vai estourar ou não, mas é bem provável que se há um grupo de pessoas na rua, a raiva contra a injustiça (fundada ou não - vide o exemplo do pessoal de verde amarelo) vai estar lá. Resolvi retratar essa "figurinha repetida" para ajudar na divulgação dos atos - bolei um roteiro com doze quadrinhos e versos rimados, que mostravam como ela era criada a partir do desconforto, do descaso com o transporte, do machismo no busão e da grana no bolso dos engravatados. Infelizmente, a minha velocidade de produção não é muito alta e o movimento desse ano não mostrou a força de 2013 e nem os diversos fatores discutíveis (e seus pesos de influência) daquele ano. Não consegui realizar tudo o que planejei, mas o primeiro quadrinho fica aí, como uma ilustração desse pensamento um tanto quanto solto. Quem sabe nos próximos anos eu não termino a história.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Temos que falar mais sobre abuso sexual



Carol Almeida é uma grande amiga minha. A gente se conheceu em Bauru, cursando a faculdade de jornalismo. Há mais de dez anos conversamos quase que diariamente sobre variadíssimas coisas (de futebol a relacionamentos, de política a piadas, de trabalho a seriados). Eu comentei com ela sobre a ideia de postar textos de outras pessoas neste blog, complementando com desenhos meus, e ela, depois de alguns dias, escreveu esse relato extremamente corajoso e perguntou se eu gostaria de publicar. Para falar sobre um tema delicadíssimo como esse, que ocorre com tantas meninas diariamente no Brasil e no mundo, nada melhor que uma mulher. O que fiz foi tentar apenas introduzir o leitor ao texto com uma charge que condensa um pouco do argumento da autora (clique na imagem para ver em alta resolução) ~ Alberto Suzano.


Temos que falar mais sobre abuso sexual

Por Carol Almeida

Há algum tempo, diversos movimentos nas redes sociais têm me feito pensar bastante sobre ser mulher. Eu pensei muito antes de escrever e mais ainda antes de publicar esse texto, mas os relatos me fizeram conversar mais sobre o assunto. Descobri que falar abertamente sobre abusos sexuais, seja com o psicólogo, com amigos ou até com desconhecidos, faz uma diferença brutal na forma como eu enxergo e lido com o problema. E é por isso que decidi falar aqui sobre #meuprimeiroassédio e #meuamigosecreto, porque #chegadesilêncio.

O primeiro abuso que sofri foi de um primo, adolescente. Eu devia ter uns 6 ou 7 anos, ele me colocava no colo e me usava para se masturbar. Foram várias vezes, e em uma delas cheguei a sentir esperma na minha calcinha. Eu não entendia o que aquilo significava e não sabia o que estava acontecendo. Tinha uma vaga ideia de que era errado, já que era sempre escondido, mas era confuso, estranho. Não contei para ninguém e durante muito tempo eu não consegui explicar o porquê de não falar. Não conseguia explicitar se era vergonha, medo dos julgamentos ou simplesmente porque acreditava que não valia a pena ser falado. Simplesmente não contei.

Até que falei com uma prima, que também era abusada. E quando chegou aos ouvidos da família, o que eu ouvi foi: "se você não contou antes é porque você gostava". Essa é a única frase que me lembro da conversa. Eu posso ter ouvido uma explicação sobre o que era aquilo, posso ter sido alertada de que não estava certo, de que ele não deveria ter abusado... Mas eu só me lembro dessa frase: “se você não contou, é porque estava gostando”. E assim eu cresci, sempre com essa frase martelando na minha cabeça e mostrando que eu é que estava errada por ter “deixado” e “gostado”.

O abusador não teve uma frase martelando na cabeça dele. Eu tenho que vê-lo em todas as festas de família e responder pra todo mundo “porque é que eu tenho tanta implicância com ele”. A primeira vez que expliquei o real motivo foi para algumas primas e todas elas me disseram que isso é normal, que elas também sofreram abusos e que eu tinha que “deixar pra lá”, “não guardar mágoas”. E eu acreditei que eu tinha mesmo que esquecer. Se acontecia com todo mundo, por que só eu não superei? Por que é que elas conseguiam falar sobre (e fazer) sexo naturalmente e eu não? Alguma coisa estava errada comigo.

E foi assim que também “deixei pra lá” o segundo abuso, aos 12 anos, de um dentista. Ele passou as mãos nos meus seios enquanto eu estava imobilizada na cadeira do consultório dele. Não contei pra ninguém, porque o certo era deixar pra lá, esquecer e fingir que não aconteceu.

Acontece que esses abusos não me “deixaram pra lá”. Eu cresci aprendendo que sexo é errado. Que se eu não contei para ninguém é porque eu tinha gostado, e era errado eu gostar. Mas nunca aprendi que era errado o que eles fizeram, nunca aprendi que tinha sido uma vítima. O que era errado era eu não ter contado, eu ter deixado, eu ter gostado. Isso foi me acompanhando durante toda a vida, atrapalhando minha sexualidade, influenciando nos meus relacionamentos, me fazendo se sentir culpada por tudo. Eu só poderia fazer sexo com “um namorado”, alguém que me amasse e quisesse casar comigo, porque só assim eu estaria fazendo o certo, finalmente.

Depois de muito tempo carregando a culpa de ter “gostado” do abuso, o próprio abusador perguntou por que é que eu não gostava dele. E quando, reunindo muita coragem, eu disse que é porque ele abusava de mim, ele falou que “nunca faria isso”, que isso era “coisa da minha cabeça” e que ele achava que eu tinha ciúmes por ele “não ter ficado comigo” quando eu era adolescente.

E foi só aí, mais de uma década depois dos abusos, que eu vi que tem alguma coisa muito errada com o mundo, e não comigo. Enquanto eu me sentia culpada, com medo, com vergonha ou sei lá como definir o sentimento, o cara que abusou de mim não lembra, não tem nenhum peso na consciência e ainda acredita que eu tinha ficado “chateada” por ciúmes.

Eu aprendi a questionar e depois de algumas sessões de terapia e muitas conversas consegui entender que o que me calava era a culpa. Mesmo entendendo racionalmente que eu era uma criança e não tinha consciência do que acontecia, nós nos sentimos culpadas porque estão nos ensinando errado. Ao invés de ensinar a eles que eles não podem abusar, nos ensinam que não podemos estimular. Ao invés de ensinar a eles que eles nos devem respeito e nosso corpo é só nosso, nos ensinam a não sair de roupa curta, que não podemos gostar de sexo senão somos putas, que não podemos sair sozinhas à noite. No fim, eles não sabem o mal que fazem a nós, simplesmente porque nos calamos.

Quando eu li as hashtags #PrimeiroAssédio, #ChegadeSilêncio, #Primaveradasmulheres e #AgoraÉQueSãoElas eu descobri que não sou só eu. Que todas (ou quase todas) as mulheres do mundo passaram por situações parecidas, e a maioria por situações muito mais graves do que as que eu passei. É claro que cada mulher consegue lidar com isso de uma forma diferente. Algumas até esquecem, outras não entendem, muitas não pensam sobre isso. Mas todas elas se calam.

Verbalizar o que eu sinto me ajudou a entender muito mais o que foi o abuso e como isso influenciou minha vida até agora. As consequências não foram poucas e eu ainda sofro com elas diariamente. Cada atitude que tomo eu tento não ser influenciada por uma culpa que não é minha.  Estou aprendendo muito e a cada dia e a cada relato aprendo um pouco mais. Chorei quando a Jout Jout fez esse vídeo e falou todas as verdades que eu queria gritar para o mundo, me identifiquei com cada sentimento que a Flávia Tavares colocou no texto dela... Não é fácil escrever esse texto e é muito difícil publicá-lo, mas tenho certeza que isso não pode continuar acontecendo com outras pessoas.

Recentemente, falei sobre os abusos que sofri em algumas conversas. É uma experiência interessante ver a cara de susto dos homens e o olhar de entendimento das mulheres. A resposta padrão dos homens é “esses caras são bandidos e deveriam ser presos”, e o meu ponto é que se quase todas as mulheres que conheço sofreram abusos, muitos homens da minha convivência também abusaram. Faltariam cadeias para colocar todos os abusadores, e é um absurdo que as pessoas ainda não saibam disso.

É por isso que precisamos de mais relatos, mais textos, mais gritos. Todo o barulho que fizermos vai ser pouco para que os abusos não sejam encarados como algo “normal” pelas mulheres e para que as consequências deles sejam percebidas pelos homens. Hoje, eu me sinto inferior e desigual. Eu olho no espelho mil vezes e penso se é melhor sair de casa com um shorts curto ou evitar ouvir comentários sobre meu corpo na rua, mas o cara que abusou de mim não tem que fazer essa reflexão. Eu tenho medo de sair na rua sozinha de madrugada e fico pensando em mil formas de me livrar de um estupro caso aconteça, mas o dentista ainda sai normalmente, a hora que quiser, sem pensar nessa possibilidade.

Então, me junto ao coro da Jout Jout: VAMOS FAZER UM ESCÂNDALO. Vamos gritar, fazer um escarcéu e mostrar para todo mundo que assédios não são normais. De nenhum tipo. O corpo é nosso, a vida é nossa e nenhum homem tem o direito de invadir o nosso espaço e nos agredir. Homens, simplesmente parem de achar que assédio é “elogio”. Mães e pais, mostrem pras suas filhas que elas têm o poder sobre o corpo delas e não podem aceitar abusos, e ensinem aos seus filhos que eles não podem abusar. E mulheres, gritem mais.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Monstro Motivacional #1



Quebrando gelo de outubro, em que não postei quase nada, segue o primeiro desenho de uma série que eu nem sei se vou continuar.

Mais um desenho (como esse aqui) que foi adaptado de uma ideia de Lais.

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