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Segunda-feira, Novembro 23, 2009

Um talebã no trem

No último domingo eu fiz a prova da Fuvest e, por preguiça, acabei pernoitando em São Paulo. Porém, na segunda de manhã eu já voltava para a cidade das Flores (Suzano) via metrô/trem.

Da Consolação até Corinthians-Itaquera, a viagem transcorreu seu curso normal. Mas na estação Dom Bosco, uma mulher de estatura mediana, negra, aparentando 28 anos e que parecia estar com muito frio (apesar da temperatura amena) entrou no trem. Ela vestia o capuz embutido em sua blusa branca.

Havia poucas pessoas no vagão. Ela se sentou em uma das cadeiras do canto, onde permaneceu o mais encolhida possível.

Chegando em Guaianases (a estação seguinte), dois homens com uniformes das lojas Marabraz adentraram o vagão. Após se sentarem, olharam para a moça e começaram a rir. Olhei também e percebi que ela colocou outro"acessório" para se proteger do frio: uma blusa. A comicidade da cena se deu porque a proteção foi colocada exatamente na face. Ou seja, com o capuz na cabeça e a blusa cobrindo toda a cara, a moça estava parecendo uma tranquila múmia viajando de trem.

Na estação Antônio Gianetti Neto, já em Ferraz, um casal e mais um amigo (todos aparentando 20 e poucos anos) entraram no vagão e se sentaram próximos à tal mulher, sem notar a cena bizarra. Quando a olharam, um deles gritou:

"Meu Deus, um talebã!!"

Absolutamente todos no vagão começaram a gargalhar. Mas antes que os passageiros pudessem respirar, outro disse:

"Espero que ela só exploda o trem depois que ele chegar em Suzano. Não quero morrer aqui não!"

Aí sim (fomos surpreendidos?) todos começaram a gargalhar absurdamente. Os três jovens saíram de perto da mulher por não aguentarem os risos. Um dos caras com uniforme da Marabraz quase deitou no chão de tanto rir.

A moça, que já estava com a face totalmente coberta, se manteve impassível até Suzano, onde eu desci do vagão.

Se ela sentiu vergonha, não havia melhor jeito de se esconder.
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Metalinguagem: fazia um tempo que eu não falava sobre alguma história do trem.

Quinta-feira, Agosto 27, 2009

O que é isto, o fichamento?

Na faculdade de jornalismo, logo no primeiro semestre, eu tive aulas de Filosofia com o simpático e polêmico professor Clodoaldo Cardoso, esse da foto aí do lado.

Pra ser sincero, lembro de poucas coisas daquela disciplina.

Mas uma delas me marcou: a valorização do fichamento.

O professor Clodoaldo não aplicava provas, mas exigia fichamentos dos textos que indicava aos alunos, além de um seminário ao final do semestre. Esses fichamentos não eram simples transposições resumidas de escritos de filósofos consagrados, eram reflexões.

Só fui perceber isso após a realização do meu primeiro fichamento. Passei um fim de semana inteiro na labuta. Entreguei o trabalho no início da semana. Na aula seguinte, Clodoaldo disse para eu refaze-lo, diminuindo a quantidade de páginas e relacionando o que foi apreendido nos textos com experiências pessoais. Em outras palavras, ele disse: pense.

Anos depois, isolado em Suzano, trocando ideias relevantes com grandes amigos apenas pela interface do computador (salvo raras exceções), o fichamento de livros e textos (e não apenas a leitura) está sendo um parceiro no desafio de pensar, algo tão combatido pela socidade atual.

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Metalinguagem: a preguiça e o tamanho dos textos anteriores me fizeram reduzir os caracteres neste daqui.

Quinta-feira, Agosto 13, 2009

Suzano Nordeste

O texto abaixo foi escrito há cerca de três meses:


Acabo de assistir ao filme "Viva São João" (foto), de Andrucha Waddington, no qual o cantor e ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil, apresenta (de forma bem superficial, diga-se de passagem) as raízes culturais da comemoração mais tradicional do Nordeste brasileiro: a Festa de São João. Neste texto, não irei me ater a detalhes da produção cinematográfica ou da festa em si; falarei sobre as sensações que o filme me causou.

Eu sou paulista, nascido na pouco conhecida Suzano, a 40 km da capital. Por tal proximidade com a megalópole, minha terra fica no limbo entre capital e interior, a chamada região metropolitana. Portanto, em Suzano, há carcterísticas geográficas comuns a bairros periféricos de São Paulo ao mesmo tempo em que certos hábitos comuns a cidades pequenas são praticados.

Dentre as características de cidade grande, Suzano tem um punhado de fábricas, que além de ter deixado a cidade famosa pelo mau cheiro, trouxe muita mão de obra barata. Assim como na capital, a grande maioria da massa de trabalhadores é oriunda do Nordeste.

O meu contato com os nordestinos se deu a partir da forma mais conservadora de distribuir a renda, como diria Milton Santos: a empregada doméstica que trabalha em casa há muitíssimos anos, a Josefa da Silva, conhecida como Zezé (foto), é nascida em Caruaru-PE. Ela começou a prestar serviços em minha residência após minha mãe ter cometido um ato de certa forma interiorano: Zezé tocou a campainha e ofereceu sua mão de obra. Mesmo sem conhecê-la, minha mãe aceitou. Assim, sempre de modo descontraído e detalhista, Zezé trouxe incontáveis histórias do Nordeste brasileiro para a mesa de casa. Exemplos de que me recordo agora: vezes em que foi obrigada a lavar as panelas da casa de seu pai com areia, a fuga da residência para poder se casar e o susto que tomou em sua "primeira vez" (ela não sabia o que fazer, pois não teve a mínima educação sexual).

Mas as histórias não são apenas de Caruaru. Zezé mora em Suzano há mais de 20 anos e conta muitos causos da vizinhança de uma humilde família da periferia, habitante de uma cidade que fica no limbo entre capital e interior e cujos membros trabalham em fábricas transnacionais. Com os demais habitantes da localidade, eles reivindicam asfalto, legalização das terras, participam da associação de moradores, dançam forró, jogam bola na várzea, compram móveis nas Casas Bahia e conhecem os assassinados e os assassinos das páginas policiais dos jornais locais.

Talvez por tudo isso que eu tenha sentido vontade de chorar quando assisti a uma apresentação da Banda de Pífanos de Caruaru (foto), há alguns anos, em Suzano (escrevi sobre isso - leia aqui). A cantora paulistana (mas de raízes nordestinas) Cris Aflalo também fez um show na mesma ocasião. Isso misturou meus sentimentos paulista, nordestino, suburbano, suzanense, brasileiro e até mundial (principalmente após ter apreendido alguns conceitos de classe).

"Não sou brasileiro, não sou estrangeiro. Não sou de nenhum lugar, sou de lugar nenhum", escreveu Arnaldo Antunes, na letra da música "Lugar Nenhum". Sabiamente, ele disse só ter tido capacidade de escrever tais versos por ter nascido em São Paulo, uma cidade cheia de contrastes.

É assim que sinto o Nordeste em mim. Contraditoriamente, o Nordeste que conheço tão pouco é parte fundamental da minha constuituição como pessoa. Só sou como sou por ter nascido em Suzano, na nordestina Suzano.

Esse Nordeste é meu. Esse Nordeste é Suzano também.
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Metalinguagem: assim como o anterior, esse post foi bem ruminado.

Segunda-feira, Agosto 03, 2009

Aniversário

Estou tentando escrever este post desde o início da semana. Por se tratar de algo extramente pessoal (temática pouco comum neste blog), exitei por alguns dias, mas agora está aí, vomitado e com um caráter de diário pessoal.


Domingo, dia 2 de agosto, foi meu aniversário.

Eu não gosto de aniversários. Sinceramente, fico com uma vontade muito forte de chorar e a confusão de sentimentos é intensa de tal forma que eu nunca sei qual é o motivo predominante para a queda das lágrimas.

Isso ocorre desde os meus 15 anos.

Neste 2009, a razão do choro é menos difusa.

A rotina de um trabalho alienante e tolhedor de potencialidades me deixa cada manhã mais triste. Pelo menos eu percebo mais claramente como se dão as relações desiguais de trabalho na sociedade capitalista (tão discutidas com amigos em repúblicas e mesas de bar). Porém, alegria individual não tem nada a ver com isso.

Aliás, os debates expressos entre os parênteses do parágrafo acima fazem mais falta do que tudo. A vida em uma cidade onde as amizades antigas não te contemplam mais, as discussões se limitam a futebol, falar mal do trabalho e necessidades fúteis de consumo me angustiam. É tudo muito diferente do ambiente universitário com o qual estive integrado durante 4 anos. Discussões e trocas de ideia, só no mundo virtual ou em raros encontros com grandes amigos, nos parcos sábados livres.

O meu alento fica nos livros, onde tento adquirir mais embasamento para a vida e para entender o que quero dela, quando não estou cansado por causa do trabalho. Só tenho certeza de que a rotina que levo atualmente não irá durar por muito tempo.

Se você, raro leitor, perguntar se eu me sinto decepcionado, digo que não, pois sempre soube que este ano seria difícil e que o trabalho para grupos de mídia tradicional não me estimularia nem um pouco. Mas não, não estou nada satisfeito.

Espero, pelo menos, que essa fase ruim valha como experiência para sedimentar minhas convicções a fim de que as ações futuras sejam mais condizentes com os pensamentos que possuo.

Enquanto esse tempo não chega, aos 24 anos, sinto-me com 34.

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Metalinguagem: o primeiro parágrafo contempla esta seção.

Quarta-feira, Julho 29, 2009

A crise e uma de suas consequencias esquecidas

Dizem os empresários otimistas que o período de crise passou e que agora é preciso pensar no "pós-crise", afinal, o Brasil pode crescer até 1% este ano, segundo Guido Mantega (foto), chutando a estagnação prevista há pouco.

O engraçado é que os jornalões, os jornalecos e seus analistas se prendem aos números do binômio crise-demissões, sem verificar as consequencias que essa relação proporciona às pessoas de carne e osso.

Para ser prático, cito um caso que deixou meus colegas de trabalho um tanto assustados: nesta terça, na principal rua do comércio suzanense, (rua General Francisco Glicério - foto) uma atendente de 32 anos foi baleada em plena luz do dia após sacar R$8 mil em uma agência bancária. Ela foi perseguida por dois assaltantes. Por ter reagido, acabou sendo baleada.

Uns podem dizer: "Ah, ela vacilou, não se pode tirar uma quantia tão alta". Sim, é verdade, mas não se trata de um caso isolado. Nesta matéria sobre o ocorrido, há um intertíulo em que os comerciantes da cidade expõe sua indignação com relação ao grande aumento da violência na região (a de maior concentração financeira da cidade) nos últimos meses.

Ontem mesmo, indo para o trabalho (na rua em que ocorreu o crime citado), fui alvo de uma cena pouco comum, pelo menos nos seis meses que estou trabalhando em terras suzanenses: um cara me parou na rua e perguntou se eu tinha "perdido" um relógio. Provavelmente era roubado e ele queria me vender.

No assassinato ocorrido em Suzano, a mídia local coloca a culpa na falta de monitoramento eletrônico e no pouco número de guardas rondando o centro da cidade. Assim, esquecem-se do que os jornalões também fingem esquecer: a criminalidade aumenta com o desemprego.

Ah, é que eles não podem se contradizer, pois "a crise já é passado" e o recente aumento no número de roubos e furtos na cidade seria apenas uma "coincidência", que deve ser combatida com repressão.

A crise está só no começo e os jornais não exergam o desdobramento mais evidente.

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Metalinguagem: com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a cidade de Suzano e toda a região do Alto Tietê têm apresentado perda de postos de trabalho desde o início do ano. Apesar de haver recente redução das demissão, elas ainda superam as contratações. Créditos das fotos - Mantega: globo.com; rua de Suzano: mixsaopaulo.com.br

Quinta-feira, Julho 23, 2009

O estupro diário

Depois de ter entrado duas horas e meia mais cedo e ter saído três horas mais tarde no trabalho, estou sem a menor vontade de escrever. Portanto, serei breve.

Enquanto eu voltava para a casa, fiquei pensando em letras de música. No momento em que cheguei, olhei para o aparelho de som e, devido à raiva e ao abatimento adquiridos por motivos óbvios, resolvi ouvir um disco do Nirvana chamado "In Utero".


Baseado na livre interpretação, a música "Rape me" (que em português significa "Estupre-me") nunca fez tanto sentido para mim.


As degradações físicas e psicológicas (principalmente) que ocorrem no ambiente de trabalho têm muitas semelhanças com um estupro.


Abaixo, a letra da música traduzida. Mais abaixo ainda, um vídeo da canção.


Rape Me (tradução)
Nirvana


Composição: Kurt Cobain

Estupre-Me


Estupre-me, estupre-me meu amigo

Estupre-me, estupre-me novamente


Eu não sou o único yeah
Eu não sou o único yeah
Eu não sou o único yeah

Eu não sou o único


Odeie-me, faça e faça novamente

Prove-me, estupre-me meu amigo

Eu não sou o único yeah
Eu não sou o único yeah

Eu não sou o único yeah

Eu não sou o único


Minha fonte interna favorita

Eu vou beijar suas feridas abertas

Apreciar sua preocupação

Você sempre federá e queimará.


Estupre-me, estupre-me meu amigo

Estupre-me, estupre-me novamente


Eu não sou o único yeah

Eu não sou o único yeah

Eu não sou o único yeah

Eu não sou o único


Estupre-me (x9)


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Metalinguagem:
e um detalhe: o meu trabalho é bem leve comparado com o do restante da população. A tradução foi tirada do letras.mus.br.

Sexta-feira, Julho 03, 2009

Twitter: um reflexo de nosso tempo

A internet entrou na minha vida quando eu tinha uns 12 anos, lá em 1997.

As conexões eram lentíssimas e minha mãe só me permitia ligar o barulhento discador aos finais de semana, quando o "pulso" da discagem era mais barato.

Com a gradual consolidação da internet no mundo e no Brasil (apesar de não termos a universalização do acesso, o número absoluto de internautas brasileiros é grande), surgiram os blogs, que se proliferavam em progressão geométrica.

(Blog do Sakamoto: análises sobre a questão do trabalho escravo, reflexões acerca da sociedade de consumo e considerações sobre a política institucional e em movimentos sociais)

Foi uma febre! Todos falavam em blogs, exaltando suas maravilhas, como a facilidade de uso e rapidez de postagem
. Qualquer um podia ter um blog.

Passada a euforia do momento, constatou-se que a grande maioria dos blogs acabava morrendo com o passar do tempo (assunto já abordado por mim nesta postagem). O "problema" é que um blog precisa ser alimentado. As ideias são pinçadas, pensadas, concatenadas, formatadas e postadas (claro que isso não se aplica a todos os tipos de blog, mas à maioria). Resultado: demanda tempo, um dos "bens" mais escassos da sociedade capitalista.

Foi então que inventaram o fotolog. A elaboração textual passou para o segundo plano, mas se criou uma limitaçã
o técnica. Tirar uma foto numa câmera digital automática é mais fácil do que escrever, mas a postagem é mais complicada, pois depende do download da foto. Sem contar que nem sempre é possível tirar boas fotos, muitos não têm camera e os que têm, não estão com elas em toda a parte. O blog ainda não havia sido batido, exatamente pela sua praticidade.

Para chegarmos ao twitter, presisamos retomar o raciocínio do quinto parágrafo: se o que mais falta
em nossa sociedade é tempo, o que mais sobra é informação. Porém, trata-se de uma informação simples, curta, rápida e, sem sombra de dúvida, superficial.

(Twitter do Mano Menezes: a celebridade futebolística relata que vai treinar, viajar, jogar, descansar, etc)



Eis o twitter: um blog com possibildade de postagem de 140 caracteres de conteúdo, sem necessidade de formatação. O que as pessoas costumam fazer com 140 caracteres? Dizem que estão indo para o trabalho, comendo, tristes, cansadas... enfim, "contam" para os internautas suas aflições e sensações momentâneas em tempo real (com postagens por celular). É uma forma de descarregar o vazio da vida cotidiada.


Rápido, superficial, descarregador de tensões, com pouca possibilidade de reflexão. Twitter: um retrato do século XXI.


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Metalinguagem:
Apesar de saber das limitações da ferramenta, não condeno o seu uso. Creio que ela possa ser importante em determinadas ocasiões em que se faça necessária uma comunicação rápida, como ocorreu recentemente na greve da USP.

Domingo, Março 01, 2009

Histórias da praia

Praia em temporada é um lugar cheio de “imigrantes temporários”. No caso da baixada santista, o mais comum é encontrar banhistas vindos da capital ou de cidades do interior paulista. Mas isso mais entre os, digamos, “consumidores”.

Em meio a um sorvete ou uma cerveja, e com pouco de bate-papo, é interessante notar que aqueles ambulantes e vendedores de barraquinhas, que funcionam praticamente como nossos serviçais, montando nosso guarda-sol ou andando até nós para anotar nosso pedido, também viajam para o litoral paulista durante a alta temporada (período que se inicia em outubro e vai até o fim do carnaval). Seus objetivos, entretanto, não são o de desfrutar de descanso e lazer.

O vendedor de queijo, com apenas 19 anos, é de Olho d’Água Grande, cidadezinha do interior do Alagoas. “É perto de Arapiraca, cidade do ASA, que eliminou o Palmeiras na Copa do Brasil alguns anos atrás”, me disse. Estava no Guarujá a trabalho, de forma provisória. Perguntei se por lá em Alagoas não havia emprego. “Só na roça. Mas trabalho na roça só dá pra viver, não sobra muita coisa, além de ser muito pesado”. Saiu de lá atrás de mais qualidade de vida.

Thiago, também de 19 anos, garoto que servia de garçom de barraquinha, andando ininterruptamente o dia inteiro de baixo de sol quente e na areia fofa, não vem de tão longe. É de Arthur Nogueira, ao lado de Limeira. Hospedava-se na casa de uma tia, mas também desceu a serra pra levantar um dinheiro. “Me pagam 20, 25, dependendo do movimento até 30 por dia”, revelou.

Já o tocador de trompete de uma banda que entoava músicas desafinadas enquanto a turistaiada tomava seu chopp à noite na orla da praia vinha de mais longe. “São Bento do Úna, Pernambuco, mesma cidade de Alceu Valença”, me contou entusiasmado, antes de tirar uma foto do músico de sua pochete para me mostrar. Ganhava trocados com as doações de seus ouvintes, satisfeitos (ou não) após a execução de músicas como Asa Branca e Xote das Meninas (essas duas pedidas por nossa mesa).

Também tinha o “Velho das Montanhas”, apelido carinhoso que demos para o senhor que mantinha uma exposição com dejetos expelidos pelo mar no pé de um dos montes que delimitava a praia. De fala articulada e consciência crítica, ele era, em suas próprias palavras, “filho do ABC”.

Havia ainda o caso mais atípico de todos. Era a velhinha vendedora de empada, nascida em 1933, vinda da região de Pescara, na Itália. Seu nome era Edda. Nos contou que ia pra Itália uma vez por ano, para, espertamente, receber o dinheiro de uma pensão a que tinha direito.

O mais louco é pensar que todos esses vendedores e pessoas da praia que sobrevivem do dinheiro de nós, turistas, nos são praticamente invisíveis. Mas basta uma conversa rápida pra saber que por trás da oferta de um serviço ou produto se escondem histórias interessantíssimas. Histórias estas que, de certa forma, acabam por torná-los mais humanos diante de nossos olhos muitas vezes insensíveis.

Terça-feira, Janeiro 20, 2009

Cotidiano

Dias milagrosos existem, e hoje é um deles: acordo às oito da manhã de forma totalmente espontânea. Uma hora mais tarde me encontro ao lado do grande companheiro de malabares Bubs para caminhar pela trilha enlameada do Horto Florestal de Rio Claro. São 9 quilomêtros em 1 hora e meia, média de 100 metros por minuto.


Volto, cansado, e confesso que não tomei banho. Ligo o computador, brinco com a Juju. Sintonizo a TV, que desde cedo já mostra imagens do capitólio. Um negro ia se tornar o homem mais poderoso do mundo às 3 da tarde. Meu irmão chega da prova teórica de trânsito. Rasga o verbo contra a incompetência dos órgãos públicos; aparecera no lugar às 8 e só foi fazer a prova às 10 e pouco, mais de 2 horas em pé na fila.

Troco uma idéia com ele enquanto me alongo no chão da sala. Almoço bem. Da cozinha pro sofá, onde assisto passivamente por umas 2 horas a cerimônia de posse do negro estadunidense, imerso em reflexões sobre hipocrisia, alienação e dominação.

Quando finalmente enjoo, pego a bicicleta e vou à rua para riscar algumas das tarefas da agenda. Paro no meu cabeleireiro e converso sobre Miriam Leitão e o novo presidente estadunidense. Levo a autorização de procedimento médico, compro o remédio na farmácia, onde fico preso por conta de uma chuva de verão. Lá, encontro uma ex-colega de colegial e a minha dentista de longa data - coisas típicas (e boas) de cidade do interior. Passo tempo conversando com o segurança sobre o jogo dos juniores do São Paulo de mais tarde que teria lugar aqui mesmo em Rio Claro.

Em casa, o despertar precoce na manhã começa a fazer efeito: um sono que já me rodeava durante a tarde repentinamente se apodera de todos os meus sentidos. Praticamente desmaio na cama, sem qualquer resistência. Eram oito e meia da noite.

Acordo apenas para comer a pizza do jantar e assistir ao São Paulo ganhar as disputas de penaltis. Sou desafiado pelo meu irmão para uma disputa no xadrez, que prontamente aceito. Ganho jogando tanto com as brancas como com as pretas. Mas os rápidos cheque-mates e alguns movimentos aleatórios comprovam nosso amadorismo e a necessidade de lermos os livros de xadrez que alugamos na biblioteca municipal semana passada.

Começo a leitura de blogs. Mino Carta, Paulo Henrique Amorim, Pedro Doria, Soninha, Sakamoto, Liberal Libertário Libertino.

Resolvo então escrever no meu.

Terça-feira, Janeiro 13, 2009

A questão da paz



No reveillon, 90% dos brasileiros passa os últimos minutos do ano com roupas brancas (uns até com partes íntimas dessa cor) no intuito de desejar a paz para toda a população durante os próximos 365 dias. Muitos, quando perguntados sobre o que mais desejam para o ano seguinte, respondem sem pestanejar: "quero muita paz...".

É, meu amigo, mas vamos pensar sob a seguinte perspectiva: você acorda todo o dia às 4h, tem que tomar 3 conduções para ir para o trabalho, onde é explorado mental e fisicamente, muitas vezes humilhado em público por fazer algo que o superior considera errado, depois volta para casa pregado de cansaço (com mais 3 conduções), onde só consegue ver o Jornal Nacional e dormir.

A galera que deseja paz na virada do ano, diria: "ué, o cara tem um emprego, não tomou uma bala na cabeça... tá reclamando de que?"

Não existe apenas a violência física. Tomar uma bala na cabeça e morrer é uma tremenda violência, mas levar uma vida de humilhações como a do personagem do parágrado acima também é. Se seguirmos nessa paz clichê que todos desejam, um cara como esse do exemplo não vai fazer nada para mudar sua rotina e quem explora vai continuar explorando. Tudo se mantém, cheio de violência, mas revestido pela falsa paz.

Não desejo paz para 2009. Desejo que as pessoas comecem a enxergar a violência escondida sob a falsa paz.

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Metalinguagem: eu queria colocar o vídeo normal do Gilberto Gil, mas essa foto-montagem ilustra razoavalmente bem o post.

Quarta-feira, Dezembro 31, 2008

Quatro anos depois

Em janeiro de 2005, eu fazia planos. Iria morar em São Paulo, estudaria jornalismo na PUC, frequentaria os jogos do meu clube de coração. Estaria bem situado no mercado de trabalho, com estágios desde cedo. Nem o câncer da Meg, minha gata, que a levaria do mundo 3 meses mais tarde, me impedia de fazer planos. E foi embalado nesse ideal que encarei com razoável indiferença o resultado de aprovação no vestibular da Unesp de Bauru. Afinal, "estudar jornalismo só se fosse em São Paulo".

Com a aval da minha mãe, partimos para a metrópole. Fiz a matrícula na PUC, vimos lugar pre'u morar, e nos apalavramos com a proprietária. Voltaríamos dali a dias para assinar o contrato. Estava praticamente tudo certo. Praticamente.

Eu, recém aprovado no vestibular.

Acontece que por essas reviravoltas da vida (mas que não foi tão reviravolta assim), aquele castelo de planos e ambições para os próximos anos que havia construído na minha mente de repente desabou. A responsável pela tal tragédia foi a notícia dada por minha mãe de que eu não iria mais para a PUC por uma razão bastante simples: grana. Mensalidade de 1000 reais somada às despesas de uma cidade como São Paulo pesariam no orçamento. E, além de tudo, eu havia sido aprovado na Unesp, uma universidade pública e gratuita...

Assim sendo, considerando todos os prós, contras e neutralidades, o aval inicial deixou de existir, e havia uma nova ordem de minha progenitora: teria que rumar pra Bauru, a cidade que não era São Paulo, que não ofereceria oportunidades de estágio, nem todas as infinitas opções de entretenimento e lazer que a capital paulistana oferece.

Confesso que chorei feito criança contrariada aqueles dias.


Rumava para Bauru, cidade cujo símbolo já foi isso aí

Mas como eu era um idiota. Posso fazer essa afirmação hoje, no primeiro dia de 2009, 4 anos após aquele divisor de águas, e com meus dias de faculdade findos. Não é preciso muita reflexão para ter a quase certeza de que jamais haveria de ter passado em São Paulo, onde o tempo é mais escasso e o pão custa mais caro, metade das experiências que gozei, desfrutei, senti e sofri em Bauru.

Imbuído da mentalidade de estágio a qualquer custo, é quase que certo que não teria me envolvido com o movimento estudantil nem com os projetos pedagógicos e de extensão na intensidade com a qual me envolvi na Unesp. Foram estes envolvimentos os responsáveis diretos pela visão de mundo que carrego comigo hoje, fundamental para um jornalista, no meu modo de ver.

É quase que certo também que em São Paulo não teria tido a mesma liberdade de lazer que tive em Bauru, pelo evidente motivo do alto custo das coisas. Teria bebido menos, saído menos, dado menos risada.

E muito provavelmente também não teria conhecido o Russo.

Este é Russo

Foram justamente as pessoas que conheci o maior tesouro que trago comigo daquelas vastas terras do cerrado. Com algumas das quais construí laços tão sólidos que tenho certeza que ficarão por muito tempo ainda presos. Só de pensar nas conversas, discussões, viagens, músicas tocadas, trabalhos realizados e, principalmente, risadas, as quais tive o prazer de compartilhar com alguns loucos e doentes, só de pensar nisso já me fica claro que são momentos que não voltarão mais.

4 anos dessa convivência fizeram dos meus últimos dias em Bauru mágicos. Mágicos pela única razão de sentir que nos derradeiros momentos até a despedida de todos da cidade, uma espécie de espírito coletivo em comum tomou conta de nosso círculo de amigos. Procurávamos a todo momento estar juntos, fazendo coisas que nunca fizeramos antes. E no abraço de adeus (ou melhor, do "até breve"), lágrimas verdadeiras. Como já disse nesse blog outro dia, o sentimento não era de tristeza nem de felicidade, mas de algo diferente.

Me considero extremamente um cara de sorte por ter seguido pelo Caminho Bauru.
Eu, hoje.

Agora cá estou de volta à Rio Claro. Com o plano de ficar 6 meses por aqui, pra tratar decentemente de uma labirintite crônica que me molesta há 2 anos, e que ninguém sabe direito o que é. Voltar pra casa da mãe me dá uma sensação de passo pra trás, confesso, mas, como diria minha vó, "às vezes precisamos dar um passo pra trás pra dar dois à frente".

E segue a vida.

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PS: Postagem dedica aos amigos que fiz em Bauru, aos quais só tenho a agradecer.

Segunda-feira, Novembro 24, 2008

Mais vivo


Em fase de fim de faculdade, hoje presenciei mais uma despedida, a segunda da semana. E, com amigos, disse que é uma coisa "louca" esse negócio de despedidas. Disse "louca", mas queria dizer algo no sentido positivo. Pensei em "bonita" ou "linda", mas despedidas são muito tristes para serem bonitas ou lindas.

Acho que a palavra é nostálgica, mesmo sem saber direito o que isso significa. Essa sensação está me fazendo me sentir mais vivo ou algo parecido.

Sexta-feira, Outubro 24, 2008

Racismo, Que Racismo?

No LLL, hoje:




Suspeita de tiroteio em universidade estadunidense. Parafraseando Alex Castro, "pelo sim, pelo não, melhor imobilizar logo a suspeita negra!".

Link para a notícia (em inglês).

Sexta-feira, Outubro 10, 2008

A Arte da Irresponsabilidade

Precisando complicar a sua vida gratuitamente e não sabe como? Pergunte a mim.

Já dizia o pensador que sábio é o que aprende no conselho, tolo o que aprende errando, e burro aquele que nunca vai aprender. Acho que hoje dei uma bela prova de que me enquadro no terceiro gênero.

Ao fato: combinado uma ida a São Paulo para uma conversa com uma pessoa importante para o meu Trabalho de Conclusão de Curso, que será uma viagem para o Interior do país (em um próximo post versarei sobre isso), mobilizo, além da tal pessoa, um grande amigo que deixou de viajar para me receber em sua casa. Ao invés de marcar passagem com antecêndencia, deixo para comprá-la no dia. Acordo atrasado, ligo na rodoviária, e... adeus passagens. Ainda tento outro horário de ônibus, uma possível carona, mas não surge nada para consertar. O estrago já estava feito.

Bastava eu ter comprado a passagem no dia anterior para que nada disso tivesse ocorrido. E por quê eu não comprei? Tá aí uma pergunta para qual só nós, Enrolados (e por tabela irresponsáveis), sabemos a resposta, mas cujo conceito é impossível de explicar por meio de palavras.

Já fui muito mais enrolado, melhorei bastante. Mas ainda insisto a esmurrar facas pela ponta.

*****

Ps1: No momento estou me sentindo péssimo. Mas depois de tanto tempo fazendo cagadas ao longo da vida, já aprendi que após toda tempestade, vem a calmaria. Pelo menos é uma coisa positiva que consegui tirar desse meu modo negativo de ser. Vem logo calmaria!

Domingo, Setembro 21, 2008

Sobre Prendas Domésticas



3 anos e meio atrás, no início da faculdade e da vida longe da casa da mãe, minhas habilidades junto aos afazeres domésticos eram mais ou menos as mesmas que as do Gabriel no manejo de um teclado de computador. Fruto de 19 anos de mãe, vó, tia e empregada sempre limpando minha sujeira e cozinhando minha comida. Nunca precisei lavar um garfo, nem varrer um tufo de pêlo. E não me culpem por isso, mas sim os responsáveis pela minha educação (que, apesar de ter sido muito boa no geral, considero falha nesse ponto).

Não tenho vergonha de dizer que me acostumei a viver na sujeira. Nem de revelar que meu prato predileto foi miojo com hambúrguer. Tive essa rotina, com poucas variáveis, durante um bom tempo de minha faculdade. Até esse ano.

Com o nascimento da Araguaia, minha república, não sei explicar exatamente por quê, o gosto pelas tarefas de dono-de-casa aflorou. Em parte, a razão reside no fato de que, diferentemente de um apartamento, uma casa junta sujeira em uma velocidade muito maior. E diante da opção dos araguaianos de não fazer uso de uma faxineira, passei a obrigatoriamente ter contato semanal com a vassoura e o pano. Caso contrário, era viver no lixão.

Foi nesse ano também que aprendi a cortar cebola, já que resolvi me aventurar também no fogão. Alguns dos responsáveis por essa nova fase foram os enjoativos (porém salvadores) marmitex do Tempero Manero, sempre com 90% de arroz, e meu companheiro de casa Linconl, que desde meu segundo ano gostava de bancar o cozinheiro. E acabou me influenciando.

Hoje, ao realizar aquela faxina (quando com muito tempo livre, é importantíssimo destacar isso!) ou ao servir aquele arroz/feijão/bife para um dos 4 habitantes da casa, experimento um prazer terapêutico. Me sinto melhor, me desestresso. É como se o ritmo da sociedade capitalista, com a opressão dos compromissos e da pontualidade, desse espaço para o ritmo da sociedade medieval, agrária, que obedecia tão somente aos ditames da natureza, sem prazos.

Parece viagem né?

Segunda-feira, Setembro 01, 2008

Pensar...

Nos primeiros anos de faculdade, eu não pestanejava. Sempre que saía de casa para o longo caminho até a faculdade (que percorria a pé, para exercitar-me), metia os dois fones no ouvido e começava a viajar no meu próprio mundinho musical.

É bom. Como diz um amigo meu, o Gaba, é como se você estivesse num clipe. Você tenta caminhar no ritmo da música, canta junto, aprende melhor a letra e até reflete sobre ela, quando a operação já não se tornou tão automática.

Mas de uns tempos para cá, tenho preferido o silêncio. Ou melhor, o observar. Eu sempre pensava nisso quando pegava os trens metropolitanos de Suzano. Será que eu escuto música ou reparo na conversa dos outros, tento trocar uma idéia com alguém? Rolam tantas coisas interessantes no óbvio, no cotidiano, que realmente me dá uma preguiça de ouvir música, apenas para reparar nos outros.

Certa vez, no curso de locução do Senac, a professora psicóloga disse que quem ouve muita música tem medo de enfrentar seus problemas pessoais, os conflitos dentro da cabeça.

Acho que não sofro desse mal. Na verdade, a preguiça de ligar a música para sair talvez seja uma mania de pensar, viajar.

Por falar em viagem, dê uma olhada no filme mais viajante de todos: Waking Life. Na parte a seguir, a moça fala sobre como as palavras representam sentimentos. Que loucura!



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Metalinguagem: esse era um assunto que estava na lista de coisas a serem faladas há muito tempo. Funcionou como uma matéria de gaveta, no jargão jornalístico.

Domingo, Agosto 17, 2008

A zica em forma de pedra

Quando eu estava no primeiro ano da faculdade, cansei de ir ao pronto-socorro do Hospital de Base, aqui em Bauru, para ser atendido. Ou melhor, para esperar, esperar, esperar, esperar... e ser atendido, não tão bem atendido, diga-se de passagem.

Como diversas matérias de veículos locais já mostraram, o cara fica cerca de 5 horas na fila, recebe o primeiro atendimento, espera meia hora, faz algum exame, espera mais uma horinha, e depois é atendido novamente.

Uma vez conversando com o professor Osvaldo, da Unesp, ele disse que em termos de atendimento, está tudo errado na saúde de Bauru. Os postos existem, mas as pessoas não recorrem a eles por pensarem que é necessário ir ao PS por qualquer coisa. Resultado: superlotação. Claro, fora isso, existem mil outros fatores.

Enfim. Noutro dia tive uma puta crise de dor na barriga, mas uma dor que eu nunca tinha sentido na vida. Chamei meu amigo Porangaba e fomos ao hospital particular, já que minha mãe fez um convênio para mim, depois de tanta zica no primeiro ano.
Mesmo assim, o atendimento não foi dos melhores.

Cheguei lá por volta das 1h30 e saí às 4h30. Voltei para casa com suspeita de pedra no rim. Ainda não sei o resultado, tenho que fazer mais exames.


Mas contei toda essa história para parafrasear meu amigo Bulhões:
"E quem não tem dinheiro?"
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Metalinguagem:
Porangaba é o mais novo apelido de Gaba

Quinta-feira, Março 06, 2008

A (in)segurança dos automóveis

Em uma matéria da revista Caros Amigos do final de 2007, li sobre os diversos problemas dos automóveis com relação à segurança.

O repórter entrevistou famílias que sofrem até hoje por causa de acidentes, consultou dados e especialistas que afirmavam que a falta de segurança dos carros é enorme.


Acontece que, em menos de 1 ano, amigos próximos sofreram acidentes bem parecidos:


-Um pessoal de uma rep amiga (Maria Bonita) pegou a estrada à noite para ir de Sampa a Bauru. O carro capotou.


-O Willi
am Douglas e o Daniel, na época em que estavam fazendo o TCC em Franca, tiveram que voltar para Bauru para terem uma maldita aula e, devido à chuva, o carro perdeu o controle (não me lembro se capotou).

-O Alan e a Irmã da Tati vieram para Bauru acompanhar a formatura dos meus veterenos. Vieram de carona e, devido à chuva novamente, o carro perdeu o controle.


Nas três situações acima, os acidentes foram incríveis e os carros ficaram destroçados. Conseqüências físicas para os integrantes: praticamente nenhuma.


Apesar de ter um primo que trabalha no
Jornal do Carro, eu não entendo nada de tal assunto, mas podemos chegar a duas conclusões:

1 - É fácil sofrer acidentes, principalmente na chuva. Ou seja, algo de errado deve haver na concepção dos carros.


2 - As células do carro parecem estar mais fortes, caso contrário, todos os meus amigos estariam mortos.


Completando o meu sofisma, concluímos que guiar carros é perigoso, mas morrer dentro deles está ficando mais difícil.


Agora, com as barbies, os acidentes costumam ser fatais:





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Metalinguagem: se eu estiver falando merda, por favor, corrijam-me nos comentários.

Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008

Comentarista brinde

No último sábado, fui com meu pai assisir à primeira partida do Palmeiras (cheio de contratações milionárias) no Palestra Itália em 2008, já que o gramado estava em reforma.

O estádio estava lotado e nunca me senti tão espremido no Palestra. O motivo foi isso aqui.

Enfim, comprei o meu ingresso, mas devo ter dado algum trocado a mais ou esquecido um cartão de banco no caixa, pois não adquiri a simples oportunidade de assistir o jogo contra o Rio Preto, também ganhei um comentarista de brinde.

Eu não tinha percebido o prêmio extra até poucos minutos antes do início da partida. Quando a torcida foi chegando e o espaço ficou reduzido é que o brinde se posicionou bem atrás de mim, encostando sua pança saliente em minhas costas.


A partida começou. Estávamos bem próximos da torcida Mancha Verde. Os caras não paravam de cantar um segundo, empurrando o time para o ataque. Os lances de gol começaram a surgir. Foi ai que o comentarista brinde começou a dar seus pitacos.


“O Di-di-di-ego Souza está muito su-su-su-mido no jogo. Ele tem que se posicionar melhor. Se continuar assim vai ser di-di-di-fícil fazer gol”.


Quando o brinde (esqueci de dizer que ele era gago) disse isso, um cara da Mancha gritou: “Se é para assistir o jogo, vai lá do outro lado, aqui é para torcer, porra!”.


Mas você acha que ele parou? Nem por um minuto. A cada lance ele fazia sua análise, constatando que o Palmeiras dificilmente faria o gol e que na época dele, já estaria uns 3x0. Com dois de Ademir, e um de Julinho Botelho.


No intervalo, a patrocinadora do Palmeiras fez uma promoção em que um torcedor poderia bater um falta (com goleiro) no campo. Teve um que chutou e a bola quase entrou. Quando isso ocorreu, o nosso amigo comentarista gago fez um "brilhante" comentário e um cara da Mancha gritou: “Mas até na promoção você zica! Eu vou sair daqui!” e saiu de perto, sem paciência.


O segundo tempo começou e, contrariando as previsões do comentarista, o Palmeiras fez 1x0, gol de Valdivia (que depois dançou o "créu", veja abaixo). O gago me abraçou, segurou o meu pescoço, quase me dando uma gravata. Logo em seguida, o empate de cabeça. “O Luís Pereira tiraria essa bola com fa-fa-facilidade”, afirmou nosso amigo.



Com o empate, a torcida ficou apreensiva. O comentarista brinde fez questão de falar. “faltam 15 minutos”, “faltam 10 minutos”, “faltam 5 minutos”, “só faltam 2 minutos, acho que não vai dar, não”.

Mano, quem me conhece sabe que sou uma pessoa calma. Se eu já estava a ponto de mandar esse filho da puta calar a boca e dar um soco na cara dele, imagine a galera da Mancha!


Fim de jogo. Palmeiras 1x1 Rio Preto. Raiva dupla: jogo medíocre e comentarista-brinde-gago-zica. Mas tudo tem o seu lado bom. Quando se tem um blog, a desgraça vira comédia.


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Metalinguagem:
sempre que vou ao estádio acontece alguma coisa engraçada.

Terça-feira, Fevereiro 19, 2008

Tom Zé, eu também sou japonês!

Desde criança eu sempre mantive muito contato com a cultura japonesa. A minha cidade natal, Suzano, é um forte centro de imigração. Portanto, já tive e ainda tenho muitos amigos, vizinhos, namoradas (essa é uma só) e produtos de consumo vindos ou descendentes da terra do sol nascente.

Não, este texto não irá falar sobre os 100 anos da imigração japonesa. O foco é apenas um item, talvez o mais importante da cultura nipônica: a tal da discplina, que aqui no Brasil mudou de nome para "japonês" (isso mesmo), como disse Tom Zé em uma entrevista ao programa Arquivo Record, da Record News.

No programa, o repórter pede para que Tom comente o trabalho de Caetano Veloso e Gilberto Gil na época da Tropicália e relacione com a sua própria obra. Ele responde algo do tipo:


-"Caetano e Gil são gênios! Eu sou japonês!"


Em seguida, ele explica que só conseguiu fazer algo de relevante na música popular brasileira devido ao suor, ao esforço, à disciplina e ao perfeccionismo.


Mas depois de tantos anos de convivência com seres humanos de olhinhos puxados, eu nem precisei da explicação para entender o significado do adjetivo "japonês".


Atrevo-me a dizer que aprendi a ser japonês aqui em Suzano e, de tanto admirar, acabei copiando.

Hoje em dia, sou bem mais japonês do que muito japonês.

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Metalinguagem:
um trecho do programa Arquivo Record sobre a Tropicália. Vale a pena!